O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a pressionar as gigantes do petróleo ExxonMobil e Chevron, cobrando uma redução nos preços da gasolina e a devolução de parte dos lucros à população. Em declarações à imprensa na Casa Branca, Trump afirmou que as empresas estão “ganhando dinheiro demais” com a disparada do petróleo, impulsionada pela guerra que ele mesmo iniciou em fevereiro, ao lado de Israel, contra o Irã.
Lucros bilionários e pressão política
As duas petroleiras registraram lucro conjunto de US$ 29 bilhões no segundo trimestre, o equivalente a US$ 318 milhões por dia, mais que o triplo do mesmo período do ano anterior. O desempenho foi alavancado pelos preços elevados do petróleo, reflexo da crise no Estreito de Ormuz, e também pelo aumento da margem nas refinarias, que vendem gasolina, diesel e combustível de aviação.
Trump, que se declara um defensor da livre iniciativa, não escondeu o descontentamento: “Não gosto disso. Eu deveria ser a última pessoa a dizer isso, porque sou um grande defensor da livre iniciativa, ninguém mais do que eu. Estão surpresos por eu dizer isso? Vou dizer em alto e bom som. Não estou satisfeito.”
Impacto na inflação e na popularidade
Nos Estados Unidos, os preços dos combustíveis seguem a cotação internacional do petróleo, sem a intervenção ou subsídios governamentais que existem no Brasil. O custo médio da gasolina comum já ultrapassa US$ 4 por galão, cerca de 30% acima do valor registrado na posse de Trump. Esse aumento pressiona a inflação e afeta diretamente a popularidade do presidente a poucos meses das eleições legislativas de novembro.
Pesquisas recentes mostram avaliações cada vez mais negativas dos eleitores sobre a condução da economia e da guerra, colocando em risco as chances dos republicanos nas urnas.
Executivos na mira
A pressão de Trump também se estende aos executivos. Na segunda-feira, ele atacou o CEO da Chevron, Mike Wirth, por não creditar as políticas de seu governo favoráveis aos combustíveis fósseis durante uma entrevista à Fox Business Network. Na ocasião, Wirth atribuiu o bom desempenho da companhia à produção recorde nos EUA e ao volume processado pelas refinarias.
Em sua rede Truth Social, Trump escreveu: “A única coisa que ele convenientemente se esqueceu de mencionar é que, sem a visão genial, a força e a estabilidade do governo TRUMP, a indústria do petróleo e o próprio país estariam MORTOS!”. Wirth, no entanto, havia dito que o governo Trump foi “muito útil” para ampliar a oferta de petróleo e que as medidas adotadas estavam corretas.
Investigação e defesa das empresas
Em junho, Trump determinou que o Departamento de Justiça investigasse por que os preços da gasolina não caíram, insinuando que as empresas poderiam estar cobrando valores abusivos. ExxonMobil, Chevron e representantes do setor negam as acusações, argumentando que sua participação no mercado é pequena demais para influenciar as cotações.
Essa estratégia de culpar as petroleiras remete ao governo de Joe Biden, que também criticou duramente as empresas após a invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022. Na ocasião, Biden chegou a afirmar que a ExxonMobil havia “ganhado mais dinheiro do que Deus”.
As ações da Chevron caíam cerca de 2% na tarde de segunda-feira, acompanhando a queda do petróleo, enquanto os papéis da ExxonMobil recuavam 0,6%.



