O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quinta-feira (23) a imposição de uma tarifa de 125% sobre produtos importados do Brasil e de outros países, sob a justificativa de combater o trabalho forçado. A medida, que deve entrar em vigor em 30 dias, foi detalhada em um comunicado oficial da campanha de Trump, que concorre novamente à presidência.
Detalhes da tarifa
Segundo o comunicado, a tarifa de 125% será aplicada a todos os produtos provenientes de países que, na avaliação dos EUA, não cumprem padrões internacionais de combate ao trabalho forçado. Além do Brasil, a lista inclui China, Índia, Vietnã e outras nações. Trump afirmou que a medida visa proteger trabalhadores americanos e pressionar governos estrangeiros a adotarem práticas mais rigorosas.
“Estamos colocando os interesses dos trabalhadores americanos em primeiro lugar. Esses países estão se aproveitando de mão de obra forçada para competir de forma desleal. Não vamos mais tolerar isso”, declarou Trump em um comício na Flórida.
Impacto para o Brasil
O Brasil é um dos principais alvos da medida, com exportações para os EUA que somaram US$ 31 bilhões em 2025. Setores como siderurgia, calçados e carne bovina podem ser severamente afetados. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que a tarifa pode reduzir as exportações brasileiras para os EUA em até 20% no primeiro ano.
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil emitiu nota repudiando a acusação de trabalho forçado. “O Brasil possui legislação trabalhista robusta e fiscalização rigorosa. A alegação é infundada e configura protecionismo comercial”, diz o comunicado. O governo brasileiro estuda medidas de retaliação, incluindo a elevação de tarifas sobre produtos americanos como milho, trigo e aeronaves.
Reações internacionais
A Organização Mundial do Comércio (OMC) ainda não se manifestou oficialmente, mas especialistas apontam que a tarifa pode violar regras do comércio internacional. A China, também alvo, classificou a medida como “unilateral e discriminatória” e prometeu tomar “contramedidas proporcionais”.
A União Europeia, embora não listada, expressou preocupação. “Tarifas punitivas não são o caminho para resolver questões trabalhistas. Diálogo e cooperação são mais eficazes”, disse a porta-voz da Comissão Europeia.
Contexto eleitoral
O anúncio ocorre em meio à campanha presidencial de Trump, que busca retornar à Casa Branca. Analistas veem a medida como uma tentativa de conquistar votos em estados industriais, como Pensilvânia e Ohio, onde a concorrência com produtos importados é tema sensível. “Trump está usando a retórica protecionista para mobilizar sua base. O impacto real sobre o trabalho forçado é questionável”, avalia o economista Pedro Silva, da FGV.
O governo Biden, atual na presidência, não comentou o anúncio de Trump, mas fontes indicam que a administração atual também adota medidas contra trabalho forçado, embora por meio de negociações e não de tarifas unilaterais.



