Tarifaço dos EUA redesenha mapa das exportações brasileiras
Tarifaço dos EUA redesenha exportações brasileiras

Setores brasileiros atingidos pela política comercial americana têm buscado mercados alternativos, redesenhando o mapa das exportações nacionais. Um exemplo é a empresa que vende galpões de armazenagem: os embarques já estavam programados quando veio o primeiro tarifaço, em abril de 2025. A clientela americana, que respondia por 10% do faturamento, desapareceu. “A gente acabou tendo contratos rescindidos. Essa parcela acabou se extinguindo de um dia para a noite”, conta Gustavo Yogi, presidente da empresa.

Adaptação e novos mercados

A empresa se adaptou, passando a vender galpões para companhias também atingidas pelo tarifaço que precisavam de espaço para guardar estoques. No entanto, ainda não conseguiu retomar os clientes americanos. “É bem complicado você trabalhar com um mercado que é imprevisível. O cliente americano não sabe se vai pagar um preço no meu produto quando ele fecha, ou se vai pagar uma vez e meia no final da conta”, diz Yogi.

Mudança no mapa do comércio

O tarifaço alterou o mapa do comércio global. No primeiro semestre de 2026, as exportações brasileiras para os Estados Unidos caíram 13% em relação ao mesmo período de 2025. Em contrapartida, as vendas para a China bateram recorde, com crescimento de 21,9%, e para a Europa, alta de 12,8%. Segundo economistas, trata-se de um efeito colateral da política tarifária do presidente Trump. Os prejudicados pelas sobretaxas buscaram outros parceiros, adotando a estratégia de diversificação para reduzir a dependência de um único país.

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“A pulverização aconteceu. O Brasil teve uma busca ativa por outros mercados. Mas a recíproca também é verdadeira – o Brasil também foi procurado por outros mercados que dependiam muito de alguns produtos dos Estados Unidos”, afirma o economista Hugo Garbe.

Impacto setorial e diferença estrutural

Apesar dos números positivos, o resultado não é tão simples. O aumento das exportações para outros mercados compensou parte das perdas, mas o balanço varia de setor para setor. Os Estados Unidos continuam sendo o segundo maior parceiro comercial do Brasil e compram uma variedade maior de produtos do que a maioria dos outros mercados.

“Há uma diferença fundamental entre o que vendemos prioritariamente para o resto do mundo e o que vendemos para os Estados Unidos. Para o mundo inteiro, vendemos produtos primários – soja, café, que saem da terra, tratamos e vendemos. Para os Estados Unidos, vendemos produtos manufaturados. A diferença é emprego e renda. Commodities geram muito trabalho e renda, mas não geram a quantidade de emprego que o produto manufaturado gera. Aí está o problema”, explica Leonardo Trevisan, professor de Relações Internacionais da ESPM.

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