A Ponte Preta perdeu para o Goiás por 2 a 0 na noite desta terça-feira, no Estádio Moisés Lucarelli, e chegou a 12 jogos sem vencer na Série B do Campeonato Brasileiro. A equipe campineira não sabe o que é uma vitória desde a primeira rodada, quando bateu o Botafogo-SP. Desde então, acumula oito derrotas e quatro empates.
Pior início de treinador no século
Márcio Zanardi assumiu a Ponte Preta em um dos momentos mais delicados da história recente do clube. Os resultados, porém, também colocaram o treinador em uma posição inédita. Após perder os seis primeiros jogos no comando da Macaca pela Série B, Zanardi registra o pior início de um treinador da Ponte neste século considerando os seis compromissos iniciais. O aproveitamento é de 0% dos pontos disputados.
Ao longo dos anos 2000, a Ponte teve quase 40 treinadores diferentes, sem contar os interinos. Nenhum deles iniciou o trabalho com uma sequência de seis derrotas consecutivas. O último comandante a viver um começo semelhante foi Givanildo Oliveira, em 2010. Na ocasião, a equipe somou dois empates e quatro derrotas nas seis primeiras partidas, com aproveitamento de 11%.
Nem mesmo Zetti, que deixou o clube em 2005 após quatro derrotas nos quatro primeiros jogos, teve um retrospecto pior. Apesar dos 0% de aproveitamento, o então treinador permaneceu menos tempo no cargo e não chegou ao sexto compromisso.
Desempenho dos treinadores após seis jogos
Confira o desempenho dos últimos treinadores da Ponte Preta nos seis primeiros jogos:
- Márcio Zanardi (2026): 0 vitórias, 0 empates, 6 derrotas, aproveitamento de 0%
- Givanildo Oliveira (2010): 0 vitórias, 2 empates, 4 derrotas, aproveitamento de 11%
- Rodrigo Santana (2026): 1 vitória, 1 empate, 4 derrotas, aproveitamento de 22%
- Wanderley Paiva (2006): 1 vitória, 1 empate, 4 derrotas, aproveitamento de 22%
- Nenê Santana (2005): 1 vitória, 2 empates, 3 derrotas, aproveitamento de 27%
Crise financeira agrava situação
Apesar do desempenho, o cenário vivido por Zanardi vai muito além dos resultados em campo. O treinador assumiu a equipe em meio à maior crise financeira da história da Ponte Preta. O clube convive com atrasos salariais desde julho de 2025, ainda durante a campanha do título da Série C, e viu a situação se agravar ao longo deste ano, já sob a gestão do presidente Luiz Torrano.
Além da sequência de 12 jogos sem vitória na Série B, a Macaca enfrenta transfer bans que impedem o registro de reforços, perdeu jogadores durante a janela de transferências e acumula ações judiciais relacionadas a pendências financeiras. Recentemente, em participação no podcast oficial do clube, Torrano revelou que o déficit mensal da Ponte gira em torno de R$ 3 milhões. A diretoria aposta na transformação em SAF como principal alternativa para reorganizar as finanças.
Próximo desafio
Zanardi tentará encerrar a sequência negativa nesta quarta-feira, quando a Ponte enfrenta o Operário-PR, em Ponta Grossa, no encerramento do primeiro turno da Série B. Uma nova derrota fará a Macaca registrar o maior número de derrotas em um primeiro turno da Série B desde 2006, quando a competição passou a ser disputada no atual formato.



