O governo dos Estados Unidos ampliou a lista de produtos isentos da nova tarifa de 25% sobre importações, medida que pode limitar o impacto negativo sobre ativos brasileiros. A decisão ocorre em meio a tensões comerciais entre os dois países, com o Brasil preparando-se para acionar a Lei de Reciprocidade Econômica como resposta.
Lista de isenções e justificativa
De acordo com comunicado oficial, a lista de isenções foi expandida para incluir insumos industriais e agrícolas considerados essenciais para a cadeia produtiva americana. A justificativa apresentada é evitar desabastecimento e aumento de custos para setores estratégicos dos EUA. Entre os produtos que permanecem isentos estão componentes eletrônicos, medicamentos e matérias-primas para a indústria automotiva.
Reação do governo brasileiro
O governo brasileiro anunciou que vai acionar a Lei de Reciprocidade Econômica, mecanismo que permite ao país adotar medidas comerciais equivalentes contra nações que imponham barreiras a produtos nacionais. A medida foi defendida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que afirmou: “É triste constatar que o desfecho faz parte do enredo da família Bolsonaro”, referindo-se a negociações anteriores.
Por outro lado, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, criticou a postura brasileira: “Lula colocou seu próprio ego acima da possibilidade de fechar um acordo”, disse em entrevista coletiva.
Impacto nos mercados
O Ibovespa opera em queda nesta quinta-feira, influenciado pelo tarifaço e pela incerteza quanto às negociações bilaterais. Entre as ações que merecem atenção estão Light, Totvs, Brava, Axia, B3 e Oncoclínicas. A Light anunciou a homologação de aumento de capital e pediu o fim da recuperação judicial, enquanto a Oncoclínicas informou ter recebido uma oferta da IG4, mas que não há transação acordada.
A Brava Energia retomou a oferta de aquisição de controle pela Ecopetrol, e a B3 segue sob pressão com a volatilidade do mercado. Especialistas avaliam que as isenções podem aliviar parte do impacto sobre as exportações brasileiras, mas o cenário ainda é de cautela.
Críticas da indústria
A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) criticou a postura do governo federal diante do tarifaço. Em nota, a entidade afirmou que a medida “se soma ao custo Brasil e poderia ter sido evitada”. A Fiesp defende maior diálogo com os EUA para reduzir barreiras e evitar prejuízos ao setor produtivo.
Perspectivas
Analistas apontam que o impacto total do tarifaço dependerá da evolução das negociações e da efetividade das isenções. A Lei de Reciprocidade brasileira pode gerar retaliações, mas também abre espaço para acordos setoriais. O mercado monitora de perto os desdobramentos, enquanto o governo Lula busca equilibrar a defesa dos interesses nacionais com a manutenção de relações comerciais estáveis.



