O "tarifaço" imposto pelo ex-presidente dos EUA, Donald Trump, está tornando as relações comerciais entre países "menos previsíveis", transformando o comércio internacional em um instrumento de pressão política. A avaliação é de Vitelio Brustolin, professor da Universidade Federal Fluminense (UFF) e pesquisador visitante em Harvard.
Comércio como arma política
Segundo Brustolin, em vez de se basear em regras estáveis e multilaterais, o comércio global passou a ser utilizado como ferramenta de barganha geopolítica. As tarifas elevadas impostas por Trump, que afetam inclusive aliados tradicionais, criam um ambiente de alta imprevisibilidade para empresas e governos.
"As relações comerciais entre países ficaram menos previsíveis. O comércio internacional tem sido utilizado como instrumento de pressão política, em vez de se basear em regras estáveis", afirma o pesquisador.
Impactos nos investimentos e custos
Essa estratégia protecionista gera incertezas que adiam decisões de investimento e elevam os custos operacionais das cadeias globais. Empresas relutam em expandir ou firmar contratos de longo prazo sem saber como evoluirão as barreiras tarifárias.
Brustolin destaca que o protecionismo não afeta apenas a relação bilateral entre Brasil e EUA, mas também o sistema multilateral de comércio. "Os impactos são negativos para o crescimento global e para o emprego", completa.
Diversificação como saída
Para mitigar os riscos, o pesquisador recomenda que países como o Brasil diversifiquem seus mercados de exportação e fortaleçam laços comerciais com outras regiões, como Europa e Ásia. "É crucial não depender excessivamente de um único parceiro comercial, especialmente em um cenário de volatilidade", conclui.



