O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta terça-feira um pacote de R$ 18,5 bilhões em crédito para socorrer setores da economia brasileira afetados pelo novo tarifaço imposto pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A medida, batizada de 'Plano Brasil Soberano III', prevê R$ 13,5 bilhões do Tesouro Nacional e R$ 5 bilhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com juros subsidiados, destinados a capital de giro e inovação.
Detalhes do pacote
O anúncio foi feito pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, ao lado do presidente Lula. Segundo Alckmin, os recursos visam 'fortalecer a capacidade produtiva e a competitividade das empresas brasileiras diante das barreiras comerciais impostas pelos EUA'. O pacote atende a apelos do setor privado, que vinha demandando medidas de alívio após a elevação de tarifas sobre produtos como madeira, calçados e aço.
Setores beneficiados
Os setores mais impactados pelo tarifaço de Trump incluem madeira e calçados, que juntos representam cerca de 30% das exportações brasileiras para os EUA. O governo estima que o pacote beneficie diretamente mais de 15 mil empresas de pequeno e médio porte. 'Estamos garantindo que o empresariado tenha fôlego para manter empregos e investir em inovação', afirmou Alckmin durante o evento.
Impacto econômico
O tarifaço de Trump, anunciado em junho, elevou em até 25% as tarifas de importação sobre diversos produtos brasileiros. A medida gerou preocupação no governo Lula, que busca fortalecer laços com o empresariado em um ano eleitoral. O pacote de crédito é a terceira fase do 'Plano Brasil Soberano', que já havia destinado R$ 10 bilhões em 2025 para setores estratégicos.
Segundo o Ministério da Economia, o pacote deve injetar R$ 18,5 bilhões na economia nos próximos seis meses, com foco em capital de giro para empresas que tiveram queda nas vendas para o mercado americano. O BNDES oferecerá linhas de crédito com juros de 6% ao ano, abaixo da taxa Selic atual de 10,5%.
Reações
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) elogiou a medida, mas alertou que 'o crédito é apenas um paliativo'. O presidente da CNI, Robson Braga de Andrade, disse que 'o ideal seria uma solução negociada com os EUA'. Já o governo Trump não comentou o anúncio.



