O Ministério do Trabalho (MT) instaurou investigação para apurar as causas e responsabilidades pelo acidente com um ônibus que transportava trabalhadores rurais, ocorrido na terça-feira (21) na Rodovia Deputado Januário Mantelli Neto (SP-215), entre o distrito de São Roque da Fartura, em Águas da Prata (SP), e Poços de Caldas (MG). O tombamento do veículo resultou na morte de duas lavradoras e deixou 24 feridos.
Vítimas fatais e feridos
As vítimas fatais foram identificadas como Maria Eduarda Corrêa Ferreira, de 19 anos, natural de Itobi (SP), e Josefa Alexandre da Silva, de 59 anos, residente em Santa Cruz das Palmeiras (SP). Pelo menos 24 pessoas ficaram feridas, sendo 13 encaminhadas à Santa Casa de Poços de Caldas, onde receberam atendimento médico.
Trabalhadores sem informação sobre o serviço
O superintendente regional do Ministério do Trabalho, Carlos Alberto Calazans, esteve no hospital e conversou com os feridos. Segundo ele, os trabalhadores relataram desconhecer onde iriam trabalhar. “Tive contato com os trabalhadores, conversando com eles, e o relato me deixou impressionado. Eles não sabiam onde iriam, qual seria a propriedade em que iriam fazer a colheita para catar as cebolas. Eles não sabiam o local, mas me informaram de onde eles vieram e qual o condomínio. Isso já dá um bom início de toda a nossa investigação, de toda a nossa apuração”, afirmou Calazans.
Condomínio contratou turmeiro
De acordo com o superintendente, os trabalhadores estavam a serviço de um condomínio localizado em São José do Rio Pardo, interior de São Paulo. O condomínio havia contratado um “turmeiro” – pessoa responsável por arregimentar trabalhadores – para realizar a colheita de cebolas. “Eles trabalhariam um ou dois dias na colheita da cebola e voltariam para o condomínio. Esse condomínio recebeu uma demanda de um turmeiro, ou seja, aquela pessoa que arregimenta os trabalhadores. Eles não sabem o nome dessa pessoa e não sabem a fazenda que seria”, explicou Calazans.
Trabalhadores de outros estados
Calazans destacou que alguns feridos não residem em São Paulo, estado de origem do ônibus. “Alguns com quem eu conversei no hospital são do Ceará. Olha para você ver, a pessoa sai do Ceará, vai trabalhar em São Paulo e vai fazer uma demanda em Minas Gerais. É uma situação inusitada e que requer uma apuração rigorosa”, disse.
Investigação deve durar 30 dias
A estimativa é que a investigação seja concluída em 30 dias. O MT pretende apurar todos os elos da cadeia: “Nós vamos apurar esse condomínio, o registro desses trabalhadores, o aluguel desse ônibus, quem foi o responsável por esse ônibus, a manutenção do ônibus, quem contratou, como contratou e também saber a ponta, qual é essa fazenda que eles iam colher essas cebolas em condições que estavam”, detalhou Calazans.
Responsabilização e direitos das vítimas
O superintendente afirmou que o Ministério do Trabalho buscará responsabilizar os culpados. “Um fato lamentável que me entristeceu demais, principalmente vendo aquelas pessoas todas machucadas. É uma coisa que impressiona e nos choca a todos, me deixou muito abalado. A gente vai fazer isso o mais rapidamente possível para que as vítimas tenham seus direitos preservados. A gente vai apurar para saber as responsabilidades e punir, principalmente, porque envolveu mortes”, concluiu.



