O índice de preços de produtos industriais ao produtor (PPI) na Alemanha registrou alta de 1,8% em junho na comparação com maio, informou o escritório federal de estatísticas (Destatis) nesta segunda-feira. O resultado superou as expectativas do mercado, que previa um avanço menor, de 1,5%. Na comparação anual, os preços subiram 5,2%, também acima da previsão de 4,9%.
Principais impulsionadores da alta
O aumento foi liderado pelos preços da energia, que subiram 2,4% no mês, com destaque para a eletricidade (alta de 3,1%) e o gás natural (avanço de 2,8%). Os bens de capital também contribuíram significativamente, com elevação de 1,5%, puxados por máquinas e equipamentos. Já os bens intermediários tiveram alta de 1,2%, enquanto os bens de consumo não duráveis subiram 0,9%.
Impacto na economia e inflação
A aceleração dos preços ao produtor reflete o repasse de custos de energia e matérias-primas, o que pode pressionar a inflação ao consumidor nos próximos meses. O economista-chefe do Commerzbank, Jörg Krämer, afirmou: 'A alta persistente dos preços ao produtor indica que a inflação subjacente continua forte, dificultando a ação do Banco Central Europeu (BCE) para cortar juros tão cedo'. A taxa de inflação ao consumidor na Alemanha subiu para 3,2% em junho, ante 2,8% em maio.
Setores em destaque
Entre os setores, a indústria química registrou alta de 2,1% nos preços, enquanto a metalurgia avançou 1,8%. O setor de papel e papelão teve aumento de 1,5%. Por outro lado, os preços de equipamentos de informática e eletrônicos caíram 0,3% no mês, refletindo a queda nos custos de componentes.
Perspectivas e contexto
O índice PPI alemão é um indicador antecedente da inflação, já que mede os preços no portão da fábrica. A alta de junho reforça a tendência de pressão inflacionária na maior economia da Europa, que enfrenta desafios como o aumento dos custos de energia e a recuperação pós-pandemia. O governo alemão projeta inflação média de 3,0% em 2026, mas os dados recentes sugerem riscos de alta.



