John Paulson, presidente do Federal Reserve (Fed) de Minneapolis, afirmou nesta terça-feira (4) que, após mais de cinco anos com a inflação acima da meta, é essencial que ela retorne a 2%. A declaração foi feita durante evento em São Paulo, onde destacou os desafios da política monetária americana.
Contexto da inflação nos EUA
Desde 2021, a inflação americana supera a meta de 2% do Fed, atingindo picos acima de 9% em meados de 2022. Apesar da recente desaceleração, o índice ainda permanece acima do alvo, com leituras recentes em torno de 3%. Paulson ressaltou que a persistência da inflação exige cautela na condução dos juros.
"Temos visto progresso, mas o trabalho não está completo. É essencial que a inflação retorne à meta de 2% de forma sustentável", afirmou Paulson. Ele também mencionou que o Fed está monitorando de perto os dados de emprego e atividade econômica para calibrar a política monetária.
Riscos de manter juros altos por muito tempo
Paulson alertou que manter as taxas de juros em níveis elevados por um período prolongado pode gerar riscos para o mercado de trabalho e para o crescimento econômico. "Precisamos equilibrar a luta contra a inflação com a saúde da economia", disse. Ele destacou que o Fed está atento aos sinais de desaceleração no mercado de trabalho, que podem indicar a necessidade de ajustes na política.
Segundo dados recentes, a taxa de desemprego nos EUA subiu para 4,1% em julho, ainda considerada baixa historicamente, mas com tendência de alta. Paulson afirmou que o Fed está "vigilante" para evitar um aperto excessivo que possa levar a uma recessão.
Perspectivas para os próximos meses
O dirigente do Fed indicou que as próximas decisões dependerão dos dados econômicos. "Se a inflação continuar a convergir para a meta, podemos considerar a redução das taxas ainda este ano", afirmou. Ele mencionou que o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) avaliará os números de inflação e emprego nas próximas reuniões.
Paulson também comentou sobre a independência do Fed, ressaltando a importância de decisões baseadas em dados, e não em pressões políticas. "A credibilidade do banco central é fundamental para ancorar as expectativas de inflação", concluiu.
Impacto para o Brasil e América Latina
A política monetária americana tem efeitos diretos sobre economias emergentes, como o Brasil. A manutenção de juros altos nos EUA tende a valorizar o dólar e pressionar as moedas locais, além de influenciar os fluxos de capital. Paulson destacou que a normalização da inflação nos EUA pode trazer alívio para os mercados emergentes.
"Quando a inflação americana estiver sob controle, isso será positivo para a estabilidade financeira global", afirmou. Ele também elogiou a condução da política monetária no Brasil, que tem conseguido reduzir a inflação sem comprometer o crescimento.



