A Noruega deu ao Brasil uma lição valiosa sobre como gerenciar a riqueza do petróleo. Enquanto o país nórdico construiu um fundo soberano de US$ 1,7 trilhão, o Brasil continua a repetir erros históricos, gastando os royalties do petróleo sem planejamento de longo prazo. A experiência norueguesa mostra que é possível transformar recursos não renováveis em benefícios perenes para a sociedade.
O modelo norueguês de sucesso
Desde a descoberta de petróleo no Mar do Norte, na década de 1960, a Noruega adotou uma estratégia de poupança e investimento. Em 1996, criou o Government Pension Fund Global, que hoje é o maior fundo soberano do mundo. O dinheiro é investido em ações, títulos e imóveis no exterior, protegendo a economia norueguesa da volatilidade do petróleo e garantindo recursos para as futuras gerações.
“A Noruega decidiu que o petróleo pertence a todo o povo, não apenas ao governo de turno”, afirmou o economista Lars Syrstad, em entrevista ao jornal. “Criamos regras claras para evitar a maldição dos recursos naturais.”
Os erros do Brasil
O Brasil, ao contrário, sempre tratou a renda do petróleo como receita ordinária. Desde a descoberta do pré-sal, em 2007, o país gastou bilhões em programas sociais, subsídios e investimentos sem criar um fundo de poupança robusto. Estima-se que, entre 2008 e 2022, o Brasil tenha arrecadado mais de R$ 1 trilhão em royalties e participações especiais, mas menos de 10% foi poupado.
“O Brasil repete o erro de países como Venezuela e Nigéria, que desperdiçaram a oportunidade de transformar petróleo em desenvolvimento sustentável”, disse o economista brasileiro Paulo Guedes, em artigo recente. “Sem poupança, o país fica refém do preço do barril e da instabilidade econômica.”
Lições para o futuro
A Noruega prova que é possível escapar da “maldição do petróleo”. O fundo soberano norueguês financia pensões, educação e infraestrutura, e já equivale a mais de três vezes o PIB do país. No Brasil, a criação de um fundo similar foi discutida, mas nunca implementada. Especialistas defendem que o país deveria seguir o exemplo nórdico, destinando parte da renda do petróleo para um fundo intergeracional.
“O Brasil precisa aprender com a Noruega: o petróleo é finito, mas a riqueza que ele gera pode ser eterna se bem administrada”, concluiu Syrstad. A lição está clara, mas resta saber se o Brasil terá a disciplina para aplicá-la.



