O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, acusou a China de estar sendo "cooperativa" com o Irã "em alguns casos" nesta quarta-feira (22). A declaração ocorre em meio a uma escalada de tensões entre Estados Unidos e Irã, que trocaram novos ataques entre terça (21) e quarta-feira (22) e voltaram a fazer ameaças de bombardeios pesados.
EUA atacam Irã pela 11ª noite consecutiva
Na madrugada desta quarta, pelo horário iraniano, os EUA atacaram alvos iranianos pela 11ª noite consecutiva. Segundo as forças americanas, os bombardeios atingiram centros de comando, sistemas de defesa aérea, lançadores de mísseis e drones do Irã. Moradores de Teerã relataram explosões, e outras foram registradas nas cidades de Chabahar, Konarak e Bushehr, onde fica a única usina nuclear do Irã.
Em resposta, o Irã havia atacado instalações militares dos EUA no Bahrein, no Kuwait e na Jordânia. Um petroleiro foi atingido no Estreito de Ormuz, na entrada do Golfo. O Irã também afirmou ter atingido infraestrutura da Amazon no Bahrein, onde a empresa americana mantém um centro regional de dados. A companhia não comentou.
Trump ameaça montanha de Pickaxe
Na terça-feira, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que poderá atacar "muito em breve" a montanha de Pickaxe, próxima à instalação nuclear de Natanz. A montanha abriga uma rede de túneis subterrâneos onde especialistas acreditam que o Irã mantenha parte da infraestrutura usada no enriquecimento de urânio. Em resposta, o comando militar iraniano afirmou que vai atacar investimentos dos Estados Unidos e de países aliados caso instalações nucleares iranianas sejam bombardeadas.
Segundo um funcionário do Ministério da Saúde iraniano, 50 civis morreram e 500 ficaram feridos nos recentes ataques norte-americanos. Já os EUA confirmaram a morte de 18 militares desde o início da guerra.
Houthis anunciam bloqueio naval
Os Houthis, que controlam o norte e o oeste do Iêmen, anunciaram na segunda-feira (20) um bloqueio naval contra a Arábia Saudita, abrindo uma possível nova frente na guerra. O bloqueio pode afetar diretamente o estreito de Bab el-Mandeb, conhecido como "Portão das Lágrimas", que liga o Mar Vermelho ao Golfo de Áden. Milhões de barris de petróleo saudita passam diariamente pela rota, usada para abastecer mercados da Ásia e da Europa.
O trajeto vinha sendo usado como alternativa ao Estreito de Ormuz, que teve o tráfego praticamente interrompido após o início da guerra. Poucas horas após o anúncio, dois petroleiros que haviam acabado de carregar petróleo em Yanbu, na costa saudita do Mar Vermelho, mudaram de rota. Trump afirmou que os Houthis ainda não fecharam o estreito e ameaçou agir caso isso aconteça. "Até agora isso não aconteceu", disse Trump. "Se algo assim acontecer, nós resolveremos."
A nova escalada e a ameaça dos Houthis preocuparam o mercado internacional. O preço do petróleo Brent subiu mais de 2% e voltou a superar US$ 91 por barril.
Sinais mistos: negociação e guerra
Apesar da escalada, ainda existem tentativas de negociação. Um alto funcionário iraniano disse à Reuters na segunda-feira que Teerã recebeu de mediadores uma proposta de cessar-fogo de 10 dias. A iniciativa tenta salvar o acordo de paz provisório assinado entre EUA e Irã em junho. O ministro do Interior do Irã, Eskandar Momeni, visitou o Paquistão, um dos mediadores, e pediu que o país mantenha os esforços para reduzir o conflito.
Por outro lado, em uma audiência no Senado, o secretário de Guerra dos EUA, Pete Hegseth, pediu que o Congresso aprove um pacote de US$ 70 bilhões em recursos para a Defesa. Parte do dinheiro seria usada para recompor os estoques de mísseis que podem ser usados na guerra. Segundo ele, a guerra contra o Irã já custou US$ 37,5 bilhões (R$ 190,8 bilhões) aos cofres públicos americanos.



