Mundo não voltará ao que era antes, diz Daniel Yergin
Mundo não voltará ao que era antes, diz Yergin

O mundo não voltará ao que era antes da pandemia e da guerra na Ucrânia, afirmou o historiador e especialista em energia Daniel Yergin, vice-presidente da S&P Global, em entrevista ao Valor. Para ele, a ordem global está sendo redefinida por forças como a fragmentação econômica, a rivalidade entre Estados Unidos e China e a transição energética.

Uma nova era de incertezas

Yergin, autor do clássico “O Prêmio”, sobre a história do petróleo, argumenta que a pandemia de Covid-19 e a invasão russa na Ucrânia aceleraram mudanças que já estavam em curso. “A globalização como a conhecíamos está dando lugar a um sistema mais fragmentado, com blocos regionais e cadeias de suprimento mais curtas”, disse.

Ele ressalta que a guerra na Ucrânia redefiniu a segurança energética europeia, forçando o continente a buscar alternativas ao gás russo. “A Europa está passando por uma transformação energética forçada, que terá impactos de longo prazo em sua competitividade industrial”, explicou.

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Impactos na economia global

O historiador também destacou que a inflação e os juros altos são consequências diretas dessas perturbações. “Estamos vendo uma combinação de choques de oferta e demanda que não víamos desde os anos 1970”, afirmou. Ele acredita que os bancos centrais terão que manter políticas monetárias restritivas por mais tempo.

Yergin mencionou que a transição para uma economia de baixo carbono é uma das maiores forças de transformação, mas alertou que ela não será linear. “Haverá avanços e retrocessos, dependendo das políticas e dos preços das commodities”, ponderou.

Nova ordem geopolítica

No campo geopolítico, Yergin vê um mundo bipolar, com EUA e China competindo em tecnologia, comércio e influência. “A rivalidade entre as duas maiores economias vai definir o século XXI”, disse. Ele também observa o surgimento de novas alianças, como o grupo BRICS ampliado, que buscam contrabalançar o domínio ocidental.

Para o Brasil, Yergin vê um papel relevante, especialmente na área de energia e agricultura. “O Brasil tem condições de se beneficiar da transição energética, com seu potencial em biocombustíveis e hidrogênio verde”, concluiu.

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