Os contratos futuros de minério de ferro caíram nesta terça-feira, pressionados pelo excesso persistente de oferta da commodity, embora as perdas tenham sido limitadas por indicações de que a produção das usinas siderúrgicas chinesas está se estabilizando. O contrato mais negociado para setembro na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) encerrou o pregão diurno com queda de 0,43%, a 699,5 iuanes (US$ 103,60) por tonelada, após atingir 692,50 iuanes durante a sessão, o nível mais baixo desde 20 de junho de 2025.
Na Bolsa de Cingapura, a referência do minério de ferro para setembro registrou alta de 0,2%, para US$ 93,95 por tonelada, depois de tocar mais cedo o menor patamar desde 27 de junho de 2025. As oscilações refletem um mercado ainda dominado pela oferta abundante, mas com algum suporte vindo da demanda chinesa.
Chegadas em portos chineses aumentam
De acordo com dados da consultoria Mysteel, as chegadas de minério de ferro em 47 portos chineses aumentaram 5,33 milhões de toneladas em relação à semana anterior. Esse incremento reforça a percepção de que a oferta segue elevada, contribuindo para a recente queda acentuada nos preços, conforme destacou Thanh Ha Pham, analista da Jefferies Equity Research, em nota.
Pham afirmou que os fundamentos de curto prazo do mercado permanecem pessimistas, mesmo com a possibilidade de reposição sazonal de estoques antes da temporada de construção, entre setembro e outubro, que pode oferecer suporte no final do ano. A análise sugere que, apesar das pressões atuais, há espaço para alguma recuperação sazonal.
Reposição sazonal e greve na BHP
As siderúrgicas chinesas estão iniciando o estoque pré-temporada antes do período conhecido como “Setembro de Ouro” e “Outubro de Prata”, um pico de atividade na construção civil, conforme explicou Guo Fang, analista da corretora AHCOF Futures Research, em nota. Esse movimento pode dar algum suporte aos preços, mas ainda é incerto diante do excesso de oferta.
Em paralelo, uma greve de dois dias está programada para as operações da BHP em Port Hedland, na Austrália Ocidental, neste fim de semana, apesar do avanço nas negociações entre sindicatos e a mineradora global na terça-feira, segundo um porta-voz sindical. A paralisação pode afetar temporariamente os embarques, mas o impacto deve ser limitado dada a magnitude da oferta global.
Perspectivas de mercado
Analistas apontam que o equilíbrio entre oferta e demanda continua delicado. De um lado, a produção chinesa de aço mostra sinais de estabilização, o que pode sustentar a demanda por minério. De outro, os estoques nos portos chineses permanecem elevados, e as chegadas continuam crescendo, mantendo a pressão baixista.
O mercado acompanha de perto os desdobramentos da greve na BHP e os indicadores de atividade econômica na China, que é o maior consumidor global de minério de ferro. Qualquer sinal de desaceleração mais forte na siderurgia chinesa poderia aprofundar as quedas, enquanto uma retomada mais robusta da construção pode reverter a tendência.



