O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu o presidente da Coreia do Sul, Lee Jae Myung, em reunião de alto nível no Palácio do Planalto. No encontro, foi anunciado um acordo bilateral focado em minerais críticos, essenciais para a cadeia de suprimentos de tecnologias limpas e eletrônicos. A parceria visa garantir acesso a recursos estratégicos como lítio, terras raras e grafite, dos quais o Brasil possui reservas significativas.
Cooperação em minerais críticos
O acordo estabelece mecanismos de cooperação para exploração, processamento e comércio de minerais críticos, alinhando-se às estratégias de ambos os países para transição energética e segurança industrial. A Coreia do Sul, grande produtora de baterias e semicondutores, busca diversificar suas fontes de abastecimento, enquanto o Brasil deseja agregar valor à sua produção mineral.
Segundo o comunicado conjunto, será criado um grupo de trabalho bilateral para mapear oportunidades de investimento e transferência de tecnologia. O objetivo é reduzir a dependência de fornecedores tradicionais, como China e Rússia, e fortalecer a cadeia de suprimentos entre os dois países.
Acordo comercial Mercosul-Coreia do Sul
Além do acordo mineral, foi anunciada a formação de um grupo de trabalho para viabilizar um tratado de livre comércio entre o Mercosul e a Coreia do Sul. O vice-presidente Geraldo Alckmin, também ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, foi designado como coordenador brasileiro das negociações.
As conversas iniciais devem abordar redução de tarifas, barreiras técnicas e cooperação em serviços. O Mercosul busca novos mercados para produtos agropecuários, carnes e manufaturados, enquanto a Coreia do Sul espera ampliar exportações de automóveis, eletrônicos e máquinas. Atualmente, o comércio bilateral soma cerca de US$ 12 bilhões anuais, com potencial de crescimento significativo.
Impacto econômico e geopolítico
O acordo sobre minerais críticos insere-se na estratégia brasileira de se posicionar como fornecedor confiável de insumos para a indústria global de alta tecnologia. Para a Coreia do Sul, a parceria reduz riscos de interrupção no fornecimento em meio a tensões geopolíticas.
Especialistas apontam que a criação do grupo de trabalho comercial pode acelerar as negociações entre Mercosul e Ásia, especialmente após o acordo com a União Europeia estar paralisado. O Brasil também negocia acordos com outros países asiáticos, como Japão e Singapura.
O presidente Lula destacou a importância da aproximação com a Coreia do Sul, um dos maiores investidores na indústria automotiva e de tecnologia no Brasil. Já Lee Jae Myung afirmou que o acordo representa um passo estratégico para a segurança de recursos na Ásia.
As próximas reuniões técnicas estão previstas para os meses seguintes, com expectativa de assinatura de memorandos adicionais. A sociedade civil e o setor produtivo serão consultados ao longo do processo.



