A libra esterlina iniciou a semana em queda acentuada, refletindo o temor fiscal que tomou conta dos mercados após a renúncia da ministra das Finanças do Reino Unido, Rachel Reeves. Considerada uma figura de disciplina fiscal no governo anterior, sua saída repentina abriu espaço para incertezas sobre o rumo da política econômica britânica.
Renúncia abala confiança do mercado
Reeves, que ocupava o cargo desde 2023, era vista como um pilar de responsabilidade fiscal dentro do gabinete. Sua renúncia, anunciada na noite de domingo, pegou investidores de surpresa e gerou uma onda de vendas de ativos denominados em libras. A moeda britânica chegou a cair 1,2% frente ao dólar nas primeiras horas de negociação, atingindo o menor nível em três semanas.
Andy Burnham, que assumiu o cargo de primeiro-ministro após a saída de Keir Starmer, declarou que buscará “flexibilidade” dentro das regras fiscais existentes. A declaração, feita em entrevista coletiva, foi interpretada pelo mercado como um possível afrouxamento da disciplina orçamentária, elevando os prêmios de risco sobre a dívida soberana do Reino Unido.
Impacto nos mercados e perspectivas
O rendimento dos títulos de 10 anos do governo britânico subiu 15 pontos-base, para 4,32%, refletindo o aumento da aversão ao risco. Analistas do banco Goldman Sachs alertaram que a incerteza política pode levar a uma desvalorização adicional da libra, caso o novo governo não apresente rapidamente um plano fiscal crível.
“A saída de Reeves remove um importante contrapeso fiscal. O mercado agora exigirá sinais claros de que o novo governo manterá a trajetória de consolidação”, afirmou Jane Foley, estrategista do Rabobank, em nota a clientes.
O Partido Trabalhista, agora liderado por Burnham, enfrenta o desafio de equilibrar promessas de gastos sociais com a necessidade de manter a confiança dos investidores. A próxima reunião do Banco da Inglaterra, marcada para setembro, será acompanhada de perto em busca de indicações sobre a política monetária diante do novo cenário fiscal.



