Líder do Iêmen apoiado por sauditas promete retomar exportações de petróleo
Líder iemenita apoiado por sauditas promete retomar petróleo

O presidente do Conselho de Liderança Presidencial do Iêmen, Rashad al-Alimi, afirmou nesta segunda-feira (20) que o governo reconhecido internacionalmente está determinado a retomar as exportações de petróleo, interrompidas desde outubro de 2022 devido a ataques do grupo houthi. A declaração foi feita durante uma visita a instalações petrolíferas na província de Hadramaute, no leste do país.

Contexto do conflito e impacto econômico

O Iêmen, um dos países mais pobres do mundo árabe, possui reservas significativas de petróleo e gás, mas a guerra civil que desde 2014 opõe o governo reconhecido internacionalmente aos houthis — apoiados pelo Irã — devastou a economia e a infraestrutura. As exportações de petróleo, que antes representavam cerca de 70% da receita do Estado, foram praticamente paralisadas. Segundo dados do Banco Mundial, o PIB iemenita encolheu mais de 50% desde o início do conflito, e a produção de petróleo caiu de aproximadamente 130 mil barris por dia em 2014 para menos de 60 mil barris atualmente.

Apoio saudita e plano de retomada

Al-Alimi, que lidera o conselho formado em 2022 com forte apoio da Arábia Saudita, destacou que a retomada das exportações é essencial para financiar o Estado e pagar salários de funcionários públicos, incluindo professores e profissionais de saúde. “Vamos retomar as exportações de petróleo para salvar a economia e o povo iemenita”, disse ele, segundo a agência de notícias estatal Saba. O governo já iniciou negociações com empresas internacionais e tribos locais para garantir a segurança dos oleodutos e terminais de exportação.

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Desafios e reação houthi

Os houthis, que controlam a capital Sanaa e grande parte do norte do país, realizaram ataques com drones e mísseis contra instalações petrolíferas nos últimos meses, incluindo o terminal de al-Dhaba, na província de Hadramaute, que foi alvo em outubro de 2022. O grupo rejeitou a declaração de Al-Alimi, classificando-a como “provocação” e prometendo continuar os ataques. “Enquanto a agressão e o cerco continuarem, as exportações de petróleo não serão retomadas”, afirmou o porta-voz houthi, Mohammed al-Bukhaiti, em comunicado.

Perspectivas e mediação internacional

A retomada das exportações depende de um cessar-fogo duradouro e de garantias de segurança. A Arábia Saudita, que lidera uma coalizão militar no Iêmen desde 2015, tem mediado negociações de paz com os houthis, mas as conversas estagnaram. Analistas apontam que o anúncio de Al-Alimi pode ser uma tentativa de pressionar os houthis a voltar à mesa de negociações, enquanto o governo busca alternativas para gerar receita. A ONU estima que mais de 21 milhões de iemenitas (dois terços da população) necessitam de assistência humanitária.

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