Solidão canina aumenta com volta ao trabalho presencial, aponta estudo
Solidão canina: volta ao trabalho presencial afeta cães

A nova rotina dos humanos, marcada pelo retorno ao trabalho presencial e pelo aumento das viagens, está afetando emocionalmente os cães. Um estudo da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) identificou a solidão como um dos principais gatilhos de estresse nos animais, levando a comportamentos como latidos excessivos e destruição de objetos.

Segundo os pesquisadores, a ausência prolongada dos tutores durante o dia provoca ansiedade de separação, um quadro que pode se agravar se não houver adaptação na rotina do pet. A especialista em comportamento animal, Dra. Mariana Silva, explica: "Os cães são animais sociais e dependem da interação com seus tutores. Quando essa interação diminui abruptamente, eles podem apresentar sinais de estresse, como vocalização excessiva, comportamentos compulsivos e até perda de apetite."

Impacto do retorno ao trabalho presencial

Com o fim do home office em muitas empresas, os cães que se acostumaram com a presença constante dos donos agora precisam lidar com horas de solidão. O estudo da UFES aponta que cerca de 40% dos cães avaliados apresentaram sinais de ansiedade de separação após a mudança na rotina dos tutores. A pesquisa também destaca que a solidão é um gatilho de estresse crônico, que pode levar a problemas de saúde física, como distúrbios gastrointestinais e queda de pelos.

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Além do trabalho presencial, o aumento das viagens de lazer após a pandemia também contribui para o problema. Muitos tutores deixam os pets em casa por longos períodos ou em hotéis para animais, o que pode intensificar o estresse.

Sinais de alerta e como ajudar

Os principais sinais de que o cão está sofrendo com a solidão incluem: latidos e uivos frequentes quando está sozinho, destruição de móveis e objetos, sujeira pela casa (mesmo em animais já treinados), e agitação excessiva quando o tutor retorna. A Dra. Mariana Silva orienta: "É importante observar se o comportamento do animal mudou após a volta ao trabalho. Se ele começou a apresentar esses sinais, é hora de agir."

Para mitigar os efeitos da ausência, especialistas sugerem algumas estratégias. A primeira é criar uma rotina previsível, com horários fixos para alimentação, passeios e brincadeiras. Isso ajuda o cão a saber quando o tutor vai sair e quando vai voltar, reduzindo a ansiedade.

Estímulos e socialização

Oferecer estímulos mentais e físicos é fundamental. Brinquedos interativos, como os que liberam petiscos, podem manter o cão entretido por horas. Passeios mais longos antes de sair de casa também ajudam a gastar energia. A socialização com outros cães, em parques ou creches caninas, é outra recomendação importante, pois reduz a sensação de isolamento.

Para casos mais graves, a Dra. Mariana sugere a consulta a um veterinário comportamentalista, que pode indicar terapias ou, em último caso, medicação. "O importante é não ignorar os sinais. A solidão canina é um problema real e pode afetar a qualidade de vida do animal", conclui.

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