Janet Yellen mostra pessimismo com economia dos EUA
Janet Yellen pessimista com economia dos EUA

Em um evento promovido pela XP Investimentos, a ex-secretária do Tesouro dos Estados Unidos, Janet Yellen, surpreendeu os participantes ao manifestar uma visão claramente pessimista sobre o futuro da economia americana. A declaração foi feita durante o Expert XP 2026, realizado em São Paulo, e repercutiu imediatamente nos mercados financeiros globais.

Yellen, que também presidiu o Federal Reserve entre 2014 e 2018, apontou que a combinação de políticas tarifárias agressivas, inflação persistente e desaceleração do mercado de trabalho pode levar a uma recessão de maior magnitude do que a prevista anteriormente. Segundo ela, os dados mais recentes indicam que o crescimento do PIB dos EUA deve ficar abaixo de 1% no segundo semestre de 2026.

Riscos de inflação e tarifas comerciais

A ex-secretária destacou que as tarifas impostas pelo governo Trump sobre produtos chineses e europeus estão elevando os custos para as empresas e consumidores americanos, pressionando a inflação para cima. Ela citou que a inflação ao consumidor nos EUA voltou a subir, atingindo 3,8% em julho, bem acima da meta de 2% do Fed.

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“Estamos vendo um cenário de estagflação se desenhando, com crescimento fraco e inflação elevada, o que é um dos piores cenários para a política monetária”, afirmou Yellen. A declaração foi feita em um painel sobre perspectivas econômicas globais, mediado pelo economista-chefe da XP, Caio Megale.

Mercado de trabalho e consumo

Outro ponto de preocupação apontado por Yellen é o mercado de trabalho. A taxa de desemprego nos EUA subiu para 4,5% em julho, o maior nível em três anos. Ela ressaltou que a criação de vagas tem desacelerado significativamente, especialmente nos setores de manufatura e tecnologia, diretamente afetados pelas tarifas e pela incerteza comercial.

O consumo das famílias, principal motor da economia americana, também mostra sinais de esgotamento. A confiança do consumidor caiu para o menor patamar desde 2022, e as vendas no varejo registraram queda de 0,4% no último mês, contrariando as expectativas de alta.

Impacto nos mercados e no Brasil

As declarações de Yellen tiveram efeito imediato nos mercados. O dólar se fortaleceu frente às principais moedas, e os futuros dos índices de ações americanos operavam em baixa. No Brasil, o Ibovespa chegou a cair 1,5% no pregão, refletindo o temor de uma desaceleração global.

Para o Brasil, Yellen afirmou que um cenário de recessão nos EUA poderia reduzir as exportações brasileiras e aumentar a aversão ao risco, pressionando o câmbio e a taxa de juros. No entanto, ela ressaltou que o país está em uma posição relativamente confortável, com reservas internacionais elevadas e um sistema financeiro sólido.

Perspectivas para a política monetária do Fed

Yellen evitou fazer previsões sobre os próximos passos do Fed, mas deixou claro que o banco central americano enfrenta um dilema: se continuar subindo juros para combater a inflação, pode aprofundar a recessão; se cortar, pode perder o controle das expectativas inflacionárias.

Ela também criticou a comunicação do Fed, que, segundo ela, tem causado volatilidade no mercado. “A transparência é fundamental, mas a incerteza sobre as decisões futuras está gerando ruído desnecessário”, disse Yellen.

Reações de especialistas

O pessimismo de Yellen contrasta com a visão mais otimista de alguns economistas, que acreditam que a economia americana pode ter um pouso suave. No entanto, a maioria dos participantes do evento concordou que os riscos estão aumentando.

O ex-ministro da Fazenda do Brasil, Henrique Meirelles, presente no evento, comentou: “A visão da Janet Yellen é sempre muito respeitada, e ela está sinalizando que os desafios são maiores do que muitos imaginam. Isso deve servir de alerta para todos os países emergentes.”

Conclusão

O discurso de Janet Yellen no Expert XP 2026 reforça a percepção de que a economia dos EUA enfrenta ventos contrários significativos. A combinação de tarifas, inflação e desaceleração do emprego cria um cenário de incerteza que pode ter repercussões globais. Investidores e formuladores de políticas devem monitorar de perto os próximos indicadores para calibrar suas estratégias.

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