O novo tarifaço dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, anunciado na quarta-feira (15), trouxe mais de 2 mil exceções que amenizam o impacto imediato sobre setores como carnes, café e terras-raras. No entanto, analistas alertam que o efeito político e as incertezas sobre retaliações podem pressionar a economia nos próximos meses.
Exceções estratégicas suavizam tarifas
Entre as isenções, destacam-se itens como carne bovina, café solúvel e minérios de terras-raras, que ficarão livres das novas tarifas. Segundo o governo americano, a medida visa evitar desabastecimento e proteger cadeias produtivas sensíveis. O café solúvel brasileiro, por exemplo, passou a ter tarifa zero, garantindo a competitividade das exportações nacionais.
“As exceções são um sinal de que os EUA reconhecem a interdependência comercial, mas o tarifaço ainda representa um golpe para setores não contemplados”, afirma o economista-chefe de uma consultoria, em nota.
Impacto econômico limitado, mas risco político elevado
O JPMorgan avaliou que o impacto econômico direto do tarifaço é limitado, mas o efeito político pode ser mais relevante. “O tarifaço se soma ao custo Brasil e poderia ter sido evitado”, criticou a Fiesp em comunicado. A entidade patronal destacou que a medida americana ocorre em meio a um cenário de elevada carga tributária e burocracia no país.
No mercado financeiro, o Ibovespa caiu aos 175 mil pontos com a repercussão, enquanto os juros do Tesouro IPCA+ subiram por toda a curva, seguindo o movimento dos Treasuries americanos.
Retaliação brasileira pode incluir patentes farmacêuticas
O governo brasileiro estuda medidas de retaliação, que podem envolver royalties e patentes farmacêuticas, segundo fontes do Ministério da Economia. A chamada Lei da Reciprocidade, base legal para o tarifaço americano, também pode ser usada pelo Brasil como justificativa para contra-medidas.
“A retaliação precisa ser calculada para não prejudicar ainda mais a economia brasileira”, ponderou o presidente da Associação de Comércio Exterior.
Reações políticas: críticas e divisões
O tarifaço gerou reações políticas intensas. O senador Flávio Bolsonaro e o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, atacaram o presidente Lula, que por sua vez culpou a família Bolsonaro pela ação americana. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, foi criticado pelo ministro Haddad por ser “frouxo e pouco transparente” na gestão do tema.
Enquanto isso, o governador de Santa Catarina foi alvo de representação na PGR após xingar indígenas, em meio a tensões locais.
Mercados e oportunidades
Apesar das incertezas, alguns setores podem se beneficiar. O café solúvel brasileiro, isento de tarifas, garante exportações. Já a Nike ficou de fora da final da Copa do Mundo de 2026, com disputa entre seleções patrocinadas pela Adidas, o que pode impactar o mercado esportivo.
No mercado de capitais, a Copel caiu 3% após elevar meta de alavancagem, enquanto a Movida dobrou o lucro líquido no segundo trimestre de 2026, para R$ 135,6 milhões. A Ânima desabou 33% após a compra da FMU, gerando dúvidas sobre o futuro do papel.
Perspectivas para investidores
Analistas recomendam cautela. O fundo ARX aponta que o sinal da Fazenda sobre isentos indica ajuste fiscal pós-eleição. Já a Kinea questiona se o investimento de US$ 1 trilhão em IA terá retorno. Hedge funds chineses que lucraram com inteligência artificial começam a buscar saída.
Para quem busca renda fixa, CDBs, LCIs e LCAs seguem com taxas atrativas. O FII HGRE11 vendeu conjuntos comerciais em SP e propõe emissão de até R$ 700 milhões.



