Polícia Civil do DF reabre investigação sobre morte em UPA
Polícia Civil do DF reabre investigação sobre morte em UPA

A Polícia Civil do Distrito Federal voltou atrás e anunciou que continua investigando a morte de Vilmar Pereira da Silva, de 49 anos, ocorrida na antessala da Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) do Recanto das Emas enquanto ele aguardava atendimento. O caso, que aconteceu em junho deste ano, havia sido inicialmente arquivado sob a justificativa de morte por causas naturais, mas um novo comunicado divulgado nesta quinta-feira (16) esclarece que o inquérito não foi encerrado.

Polícia Civil esclarece que investigação continua

Em nota, a corporação informou que a ocorrência está registrada como 'localização ou remoção de cadáver' e permanece 'em apuração', pois existem dúvidas sobre eventual omissão no atendimento à vítima. Segundo a Polícia Civil, foi aberto um procedimento investigativo interno na UPA sobre o caso. 'Procedimento este que está sendo acompanhado pela investigação, restando pendente juntada dos elementos colhidos na Unidade de Saúde e oitiva dos profissionais envolvidos, viabilizando a análise sobre a necessidade de instauração de inquérito para apurar o crime de omissão de socorro', detalha o comunicado.

O caso: homem morre na recepção após horas de espera

Vilmar Pereira morreu na recepção da UPA em junho, após permanecer no local por pelo menos quatro horas, de acordo com testemunhas. Imagens enviadas à TV Globo mostram o homem sentado em uma cadeira de rodas na recepção, com os braços e a cabeça caídos. A morte foi identificada por outros pacientes e acompanhantes que também aguardavam atendimento. A enfermeira Mayela Lima, que estava na unidade com a filha, relatou: 'Apalpei ele no pescoço e vi que não tinha mais pulso. Logo eu alarmei, falei 'ó, tá morto'. Veio um profissional [da UPA] e disse que não estava morto, entrou e ficou por lá'.

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Outra imagem mostra o momento em que uma equipe da Polícia Militar do DF isola a área, ainda com o corpo na cadeira de rodas.

Reação da Secretaria de Saúde e do Iges-DF

Após a repercussão do caso, a Secretaria de Saúde do Distrito Federal determinou a abertura de uma sindicância para apurar as circunstâncias da morte. O secretário de Saúde do DF, Juracy Cavalcante, afirmou à época que informações preliminares apontavam que Vilmar 'costumava pernoitar no local'. A UPA do Recanto das Emas é administrada pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (Iges-DF), entidade criada pelo governo do Distrito Federal.

Segundo o Iges-DF, Vilmar não tinha ficha de atendimento aberta na UPA no dia da morte e não havia passado pela classificação de risco nem por avaliação assistencial. Em nota divulgada em 21 de junho, a Secretaria de Saúde disse que não seria 'admitido e nem aceito qualquer indício de omissão ou ausência de atendimento a qualquer cidadão que busque assistência em nossa rede de saúde'. 'Embora [o paciente] não tenha sido registrado como paciente da unidade no momento do ocorrido, é fundamental esclarecer todos os fatos e verificar se os protocolos adotados foram adequados', afirmou a pasta.

Desdobramentos e próximos passos

A Polícia Civil aguarda agora a juntada dos elementos colhidos na unidade de saúde e a oitiva dos profissionais envolvidos para decidir sobre a necessidade de instaurar inquérito para apurar crime de omissão de socorro. O caso continua gerando comoção e cobranças por transparência e responsabilidade no atendimento à saúde pública no Distrito Federal.

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