Instituições brasileiras reagiram ao anúncio de uma sobretaxa de 12,5% sobre produtos nacionais imposta pelos Estados Unidos, que impacta diretamente US$ 10,7 bilhões em exportações. Em vez de retaliação, as entidades defendem o fortalecimento das negociações diplomáticas como caminho para reverter as alíquotas e evitar o agravamento de barreiras comerciais.
Impacto nos setores produtivos
Setores como máquinas e calçados destacaram a perda de competitividade no mercado americano. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), a sobretaxa pode reduzir em até 15% as vendas para os EUA. Já a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) estima que 30% das exportações do setor serão afetadas.
Diálogo como prioridade
Em nota conjunta, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) pediram que o governo brasileiro amplie a diplomacia para reverter a medida. "Acreditamos que o diálogo é o melhor instrumento para alcançar acordos comerciais justos e sustentáveis, em vez de uma escalada retaliatória que prejudicaria ambos os países", afirmou o presidente da CNI, Ricardo Alban.
Negociações em andamento
O governo brasileiro já iniciou contatos com representantes do governo Trump para discutir a sobretaxa. O Ministério das Relações Exteriores informou que uma comitiva técnica viajará a Washington na próxima semana. O embaixador do Brasil nos EUA, Sérgio Amaral, declarou: "Estamos empenhados em demonstrar que a medida é prejudicial para as duas economias e que há espaço para uma solução negociada."
Riscos de retaliação
Especialistas alertam que uma retaliação brasileira poderia desencadear uma guerra comercial, elevando custos para consumidores e empresas. O Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) calcula que, se houver retaliação, o PIB brasileiro pode perder até 0,3 ponto percentual em 2026. Por isso, as entidades preferem o caminho da negociação.
Próximos passos
As associações esperam que o governo apresente uma proposta de redução gradual das tarifas em setores específicos, como aço e alumínio, que também são alvo de sobretaxas americanas. A CNI sugeriu a criação de um grupo de trabalho bilateral para monitorar o comércio e evitar novas barreiras.



