Os indicadores econômicos de julho reforçam a previsão de desaceleração da economia brasileira no segundo semestre. A produção industrial caiu 1,2% em relação a junho, enquanto as vendas no varejo recuaram 0,8% no mesmo período, segundo dados divulgados pelo IBGE. Os números vieram abaixo das expectativas do mercado, que esperava estabilidade na indústria e leve alta no comércio.
Impactos setoriais e expectativas
Na indústria, o desempenho negativo foi puxado principalmente pelos setores de veículos automotores (-3,5%) e máquinas e equipamentos (-2,1%). No varejo, as maiores quedas foram observadas em móveis e eletrodomésticos (-2,9%) e materiais de construção (-1,7%).
“A desaceleração já era esperada, mas a magnitude das quedas surpreendeu”, afirmou o economista-chefe do Banco ABC, Luiz Fernando. “Indica que o ritmo de crescimento do PIB no segundo trimestre pode ser revisado para baixo.”
Inflação e juros no radar
O IPCA de julho ficou em 0,25%, abaixo dos 0,38% de junho, mas a inflação acumulada em 12 meses ainda está em 4,8%, acima do centro da meta de 3,5%. O Banco Central, que iniciou um ciclo de cortes na Selic, deve manter a cautela. “A desaceleração econômica dá espaço para cortes, mas a inflação ainda preocupa”, disse o diretor de Política Econômica do Banco Central, João Pedro.
Mercado de trabalho e consumo
A taxa de desemprego recuou para 8,9% em junho, mas a renda média real caiu 0,5% no trimestre. O consumo das famílias, que vinha sustentando o PIB, mostra sinais de enfraquecimento. A pesquisa do IBGE indicou que o indicador de confiança do consumidor caiu 2,3 pontos em julho.
Para o segundo semestre, a projeção do mercado é de crescimento do PIB de apenas 0,4% no trimestre, contra 0,8% no primeiro. O governo mantém a meta de crescimento de 2,5% para o ano, mas analistas já falam em revisão para baixo.



