Impulso fiscal segue menor, mas positivo em 2027, indica Itaú
Impulso fiscal segue menor, mas positivo em 2027

O impulso fiscal para a economia brasileira deve continuar positivo, porém em ritmo menor, em 2027, de acordo com projeções do Itaú Unibanco. A instituição financeira estima que o impacto das contas públicas no crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) será de 0,1 ponto percentual no próximo ano, após contribuições mais expressivas em 2024 e 2025.

Desaceleração gradual do impulso fiscal

Segundo relatório divulgado pelo banco, o impulso fiscal mede a variação do resultado primário estrutural como proporção do PIB, ou seja, o quanto a política fiscal contribui para expandir ou contrair a atividade econômica. Em 2024, o impulso foi de 0,8 ponto percentual, impulsionado por medidas como o pagamento de precatórios e o programa Desenrola Brasil. Para 2025, a projeção é de 0,3 ponto percentual, e para 2026, de 0,2 ponto percentual.

O economista-chefe do Itaú, Mário Mesquita, afirmou que a tendência é de redução gradual do estímulo fiscal, à medida que o governo busca equilibrar as contas públicas. "O impulso fiscal deve continuar positivo, mas em magnitude cada vez menor, refletindo o esforço de consolidação fiscal em curso", disse Mesquita em teleconferência com jornalistas.

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Composição do ajuste fiscal

O relatório destaca que o ajuste fiscal previsto para os próximos anos será baseado principalmente no aumento de receitas, como a reoneração da folha de pagamentos e a tributação de fundos exclusivos, além de cortes de despesas discricionárias. No entanto, o Itaú alerta para riscos de execução, especialmente no que se refere a despesas obrigatórias, como aposentadorias e benefícios sociais, que têm crescido acima da inflação.

Para 2027, a projeção do banco é de um superávit primário de 0,5% do PIB, ante um déficit de 0,5% estimado para 2024. A dívida pública bruta deve estabilizar em torno de 76% do PIB, após atingir um pico de 78% em 2026.

Impacto na política monetária

O Itaú avalia que a política fiscal mais contracionista em 2027 dará mais espaço para o Banco Central reduzir a taxa Selic. A instituição projeta que a taxa básica de juros encerrará 2027 em 9% ao ano, ante 10,5% previstos para o fim de 2026. "Com um impulso fiscal menor e a inflação sob controle, o BC terá condições de afrouxar a política monetária de forma gradual", explicou a economista Natália Cotarelli, que assina o relatório.

Essa combinação de política fiscal menos expansionista e política monetária mais frouxa deve resultar em um crescimento do PIB de 2,2% em 2027, ligeiramente acima dos 2,0% projetados para 2026. O mercado de trabalho deve continuar aquecido, com taxa de desemprego em torno de 7,5%.

Riscos e incertezas

Apesar das projeções otimistas, o Itaú ressalta que há riscos para o cenário fiscal, como a possibilidade de novas desonerações setoriais e a pressão por aumento de gastos em ano eleitoral de 2026. "O calendário político pode dificultar o cumprimento das metas fiscais, exigindo ajustes adicionais no futuro", ponderou Mesquita.

Além disso, o banco destaca que a reforma tributária, aprovada em 2023, deve ter impacto neutro no impulso fiscal no curto prazo, mas pode gerar ganhos de eficiência no longo prazo. A transição para o novo sistema de tributação sobre o consumo será gradual, com conclusão prevista para 2033.

Em resumo, o Itaú projeta um cenário de desaceleração do impulso fiscal, mas ainda positivo em 2027, com espaço para cortes de juros e crescimento moderado. A sustentabilidade fiscal, no entanto, dependerá da execução das medidas já anunciadas e da capacidade do governo de evitar retrocessos.

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