Guerra EUA-Irã pode reduzir crescimento global para 1,3%, alerta Banco Mundial
Guerra EUA-Irã pode reduzir crescimento global para 1,3%

O economista-chefe do Banco Mundial, Indermit Gill, alertou que a escalada das hostilidades entre os Estados Unidos e o Irã pode reacender a inflação, elevar as taxas de juros e reduzir o crescimento global para até 1,3% neste ano, ante 2,9% em 2024. A declaração foi feita à Reuters em entrevista na terça-feira.

Pior cenário já se concretiza

Gill, que se aposenta no final de agosto, afirmou que o banco modelou três cenários em sua previsão econômica de junho, considerando a incerteza elevada em torno da guerra no Oriente Médio. O pior cenário possível, com hostilidades se estendendo por seis meses ou mais, já está prestes a se concretizar. Nesse cenário, a inflação global geral chegaria a 4,5%.

Impactos na segurança alimentar e juros

Conflitos prolongados e danos à infraestrutura petrolífera da região agravarão a insegurança alimentar ao interromper embarques de fertilizantes, hélio e enxofre, desencadeando uma cadeia de efeitos secundários que pode incluir taxas de juros mais altas, disse Gill.

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Países pobres e endividados sob pressão

Gill destacou que os países pobres que ainda não se recuperaram da pandemia da Covid-19 podem enfrentar maior insegurança alimentar, enquanto nações com altos níveis de endividamento serão afetadas pelo aumento dos custos de financiamento, reduzindo gastos com educação, saúde e outros serviços essenciais. “Minha impressão pessoal é que talvez estejamos a alguns meses disso, porque ainda não começamos a ver as taxas de juros de referência subindo”, disse ele. Assim que a inflação acelerar, pode levar apenas alguns meses para que países altamente endividados enfrentem graves problemas para honrar pagamentos do serviço da dívida.

Sinais de tensão e riscos de default

Alguns países com dificuldades financeiras já solicitaram ao Fundo Monetário Internacional o aumento de empréstimos existentes, e o Paquistão pediu aos Estados Unidos uma linha de estabilização cambial de US$ 10 bilhões, segundo uma fonte. A previsão de junho do Banco Mundial mostrou que 40% dos países de baixa e média renda já estavam em situação de sobreendividamento ou corriam alto risco de entrar nela. Isso equivale a 32 países, mas o número pode aumentar rapidamente se as taxas de juros subirem, disse Gill, acrescentando que outros países podem ver suas perspectivas de crescimento de longo prazo diminuírem, mesmo sem dar default.

Desastre em câmera lenta

“É simplesmente um desastre em câmera lenta”, afirmou Gill, observando que os países que pagarem o serviço da dívida acabarão esgotando recursos destinados a áreas necessárias para impulsionar o crescimento futuro. A relação média entre dívida e PIB para mercados emergentes e economias em desenvolvimento era de cerca de 74% em 2025, bem acima dos 50%-55% registrados antes da pandemia. Para países de baixa renda, a relação era de 67%, ante cerca de 40%. Gill disse que alguns países precisarão de perdão da dívida, analisado caso a caso.

Grandes economias relativamente protegidas

Ele observou que as maiores economias do mundo — Estados Unidos, China e Índia — permanecem relativamente protegidas do impacto da guerra, cada uma se beneficiando de diferentes fontes de resiliência. Os países em desenvolvimento, no entanto, enfrentam desafios maiores.

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