O governo brasileiro começou nesta segunda-feira a ouvir setores econômicos afetados pelo tarifaço de 25% imposto pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. As reuniões, coordenadas pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, servirão para calibrar o pacote de apoio às empresas, que pode incluir a expansão do programa Brasil Soberano.
Programa Brasil Soberano e demanda recorde
O programa Brasil Soberano, que concede crédito subsidiado e garantias para empresas prejudicadas por barreiras comerciais, já recebeu R$ 18,8 bilhões em pedidos de financiamento. O volume supera em muito os recursos inicialmente previstos, e o governo estuda ampliar o orçamento do programa para atender à demanda.
O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) solicitou R$ 7,25 bilhões do Fundo de Garantia à Exportação (FGE) para continuar financiando projetos já aprovados. Sem essa injeção, parte dos projetos poderá ser paralisada.
Setores mais impactados
Entre os segmentos mais afetados pela sobretaxa americana estão o mobiliário, calçados, máquinas e equipamentos, têxteis e confecções. Empresas como a Savelli, fabricante de móveis de alto padrão, já recalculam suas estratégias de produção e exportação. "Estamos estudando redirecionar parte da produção para o mercado interno e buscar novos mercados na América Latina", afirmou o presidente da Savelli, Carlos Savelli, em entrevista à agência de notícias.
O setor têxtil também enfrenta grande apreensão. Segundo a Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), a sobretaxa pode reduzir em até 30% as exportações do setor para os EUA, que representam cerca de 15% do total vendido ao exterior.
Próximos passos
As reuniões com os setores produtivos devem se estender por toda a semana. O governo pretende, a partir das demandas apresentadas, definir o valor final do pacote de ajuda e as condições de acesso ao crédito. A expectativa é que o anúncio oficial ocorra na próxima semana, após o retorno do presidente de viagem oficial ao Japão.
O programa Brasil Soberano foi lançado em 2025 como resposta inicial às tarifas americanas, mas a escalada do tarifaço de Trump forçou o governo a rever os limites do programa. Além da ampliação orçamentária, estuda-se a redução das taxas de juros e o aumento do prazo de carência para os financiamentos.



