As exportações de petróleo do Brasil para a Ásia mais que dobraram em 2026, impulsionadas pela guerra no Irã e pelas tarifas americanas sobre o produto. Segundo dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, os embarques para o continente asiático cresceram 125% no primeiro semestre do ano, passando de 12 milhões de toneladas para 27 milhões de toneladas, em comparação com o mesmo período de 2025.
Guerra no Irã e tarifas americanas mudam fluxo comercial
O conflito no Irã, que afetou o transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz, e as tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre o petróleo brasileiro redirecionaram o comércio. A Ásia, especialmente China, Índia e Japão, tornou-se o principal destino do óleo nacional, representando 45% do total exportado pelo Brasil no período.
Segundo a Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), a mudança foi estratégica: "O Brasil aproveitou a janela aberta pela crise no Oriente Médio para consolidar sua presença no mercado asiático, que tende a crescer ainda mais nos próximos anos", afirmou o presidente da entidade, José Augusto de Castro.
Impacto na balança comercial e na produção
O aumento das exportações gerou um superávit recorde na balança comercial do setor de petróleo, com saldo positivo de US$ 15 bilhões no semestre. A produção nacional também se beneficiou, com a Petrobras ampliando a extração no pré-sal para atender à demanda.
Analistas apontam que a tendência deve se manter, mas alertam para a volatilidade do cenário internacional. "A dependência do mercado asiático pode ser um risco, mas também é uma oportunidade para diversificar os parceiros comerciais", disse a economista Marina Silva, da FGV.
Perspectivas para o segundo semestre
Para o segundo semestre, a expectativa é de que as exportações continuem em alta, com novos contratos de longo prazo sendo fechados com empresas chinesas e indianas. O governo brasileiro, por sua vez, busca ampliar acordos bilaterais para garantir acesso preferencial a esses mercados.
"Estamos trabalhando para consolidar essa nova rota comercial, que reduz nossa dependência dos Estados Unidos e da Europa", afirmou o ministro da Economia, Paulo Guedes, durante evento em São Paulo.



