As exportações brasileiras para o México sofreram uma queda de 42,5% no primeiro semestre de 2023, reflexo direto das tarifas impostas pelo governo mexicano em janeiro deste ano. O dado foi divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), que alerta para os prejuízos ao setor industrial brasileiro.
Impacto das tarifas mexicanas
O Programa de Protección para las Industrias Estratégicas, instituído pelo México, elevou impostos sobre 1.463 produtos, afetando diretamente US$ 91,5 milhões em exportações brasileiras. Com isso, o Brasil tornou-se o quinto país mais prejudicado pela medida, atrás de China, Coreia do Sul, Índia e Estados Unidos.
De acordo com a CNI, a tarifa média aplicada sobre os produtos brasileiros subiu de 3,5% para 25%, o que inviabilizou a competitividade de diversos itens. Setores como siderurgia, química e autopeças foram os mais impactados.
Contraste com outros mercados
Enquanto as exportações ao México despencaram, as vendas brasileiras para outros países cresceram 3,5% no mesmo período, mesmo com uma retração de 6,6% nas exportações para os Estados Unidos. A CNI destaca que a diversificação de mercados tem sido fundamental para minimizar os efeitos das barreiras comerciais.
“A queda expressiva para o México acende um alerta para a necessidade de negociações comerciais mais ágeis e de acordos que protejam a indústria nacional”, afirmou o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade, em comunicado.
Perspectivas e negociações
A CNI informou que já iniciou contatos com o governo brasileiro para buscar soluções diplomáticas e comerciais. Entre as medidas propostas estão a abertura de negociações bilaterais para redução de tarifas e o acionamento de mecanismos de solução de controvérsias na Organização Mundial do Comércio (OMC).
Especialistas avaliam que a situação pode se agravar caso o México amplie o programa para outros setores. Atualmente, a lista de produtos taxados inclui desde aço até produtos químicos e têxteis.
Dados da CNI
O estudo da CNI, baseado em dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), aponta que, no acumulado de janeiro a junho de 2023, as exportações brasileiras para o México totalizaram US$ 2,1 bilhões, contra US$ 3,65 bilhões no mesmo período de 2022. A perda de receita foi de aproximadamente US$ 1,55 bilhão.
A CNI também alerta que o Brasil é o país das Américas mais afetado pela tarifa mexicana, o que reforça a necessidade de uma estratégia comercial mais robusta para a região.



