A Prefeitura do Rio interditou, na manhã desta quinta-feira, dois depósitos clandestinos usados para armazenar mercadorias e equipamentos de ambulantes em Copacabana, na Zona Sul. A operação marca o início da segunda fase do programa Tolerância Zero, que passa a concentrar esforços na desarticulação da logística que abastece o comércio irregular na orla entre o Leme e o Leblon.
Detalhes da operação
A ação ocorreu simultaneamente em imóveis na Galeria Ritz Copacabana, na Avenida Nossa Senhora de Copacabana, e no Espaço Casa de Pedra, na Rua Sá Ferreira. Segundo a Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop), foram apreendidas cerca de nove toneladas de equipamentos e 55 quilos de alimentos considerados impróprios para consumo. De acordo com a prefeitura, o material poderia gerar uma receita diária estimada em R$ 8,8 mil para grupos ligados ao comércio ilegal.
Os dois estabelecimentos foram interditados por funcionarem sem alvará para a atividade de depósito. Durante a fiscalização, três lojas e três boxes da Galeria Ritz também foram flagrados com ligações clandestinas de energia elétrica. As mercadorias apreendidas foram encaminhadas ao Depósito Público Municipal, em Bonsucesso.
Impacto no trânsito
Para viabilizar a operação, a Rua Sá Ferreira foi totalmente interditada entre as ruas Raul Pompéia e Bulhões Carvalho, enquanto uma faixa da Avenida Nossa Senhora de Copacabana foi bloqueada entre as ruas Figueiredo de Magalhães e Siqueira Campos. Carrocinhas encontradas na Ladeira Saint Roman também foram recolhidas.
Declarações oficiais
Segundo o secretário municipal de Ordem Pública, Marcus Belchior, a nova etapa busca impedir a reorganização das atividades ilegais na orla. — O objetivo é romper a estrutura logística e financeira que sustenta o comércio ilegal, proteger os trabalhadores autorizados e recuperar os espaços públicos para a população — afirmou.
A prefeitura informou ainda que as secretarias municipais de Urbanismo e de Desenvolvimento Econômico vão avaliar os imóveis interditados para definir uma nova destinação pública para os espaços.
Protestos de ambulantes
Ambulantes e camelôs realizaram uma nova manifestação no início da tarde desta quinta-feira também em Copacabana. O grupo interditou duas faixas da Avenida Nossa Senhora de Copacabana, na altura da Rua Francisco Sá, nas proximidades do Posto 5, causando lentidão no trânsito. Os protestos têm se repetido diariamente e em horários alternados desde que a prefeitura anunciou o Tolerância Zero.
Anunciada pelo prefeito Eduardo Cavaliere, a operação começou neste mês de julho e prevê fiscalização permanente, 24 horas por dia, entre o Leme e o Leblon. A ação inclui patrulhamento ostensivo, pontos de controle de acesso, apreensão de mercadorias sem comprovação de origem e combate a depósitos clandestinos que abastecem o comércio irregular.
Novo foco da operação
A operação de hoje contou com a participação de agentes da Vigilância Sanitária, Guarda Municipal, Comlurb, CET-Rio, Defesa Civil, além de equipes da Polícia Militar, da Secretaria de Estado de Segurança Pública e das concessionárias Light e Águas do Rio. Segundo a Seop, a ação foi planejada com base em relatórios de inteligência compartilhados entre os órgãos municipais e estaduais.
Lançado no início de julho, após uma série de reportagens do GLOBO mostrarem diversas irregularidades à beira-mar, o Tolerância Zero começou com a ocupação permanente da orla de Copacabana, Ipanema, Leblon e Leme para coibir o comércio irregular. Nesta segunda fase, o foco passa a ser os depósitos e a cadeia de abastecimento utilizada pelos ambulantes ilegais.
A prefeitura afirma que comerciantes regularizados contam com espaços autorizados para armazenamento e comercialização, como a Feira Noturna e a Feirarte de Copacabana. Enquanto os ambulantes se queixam de falta de diálogo por parte do poder público municipal para conseguirem obter a regularização.



