O governo de Donald Trump confirmou nesta quinta-feira (23) que diversos produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos enfrentarão uma nova tarifa de 12,5%. A medida passa a valer à 0h01 desta sexta (24), no horário de Washington. A decisão é resultado de uma investigação conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, que concluiu que o Brasil e outros países adotam práticas comerciais desleais ao não fiscalizarem adequadamente a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado.
Acúmulo de tarifas atinge 37,5%
A nova tarifa de 12,5% se soma à taxa de 25% que entrou em vigor em 22 de julho, também baseada na Seção 301. Na ocasião, os EUA concluíram que o Brasil adota práticas que "oneram ou restringem" o comércio com o país, citando exemplos como o PIX e a regulação de plataformas digitais. Com as duas cobranças, a alíquota total sobre parte dos produtos brasileiros chega a 37,5%.
O Palácio do Planalto rechaçou as novas tarifas e afirmou que vai iniciar os trâmites para acionar a Lei da Reciprocidade. O país também disse que levará os casos ao mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Produtos isentos e setores afetados
Milhares de itens ficam isentos das cobranças, entre eles produtos importantes para a economia americana, como petróleo, café e carne bovina. Por outro lado, setores como calçados, máquinas, equipamentos e peças passam a enfrentar a tarifa máxima de 37,5%.
Especialistas ouvidos pelo g1 afirmam que, com a nova rodada do tarifaço de Trump, passam a existir ao menos cinco situações diferentes para produtos brasileiros importados pelos EUA: os que ficam isentos; os que passam a pagar tarifas de 12,5%; os que estão sujeitos à taxa de 25%; os que acumulam as duas cobranças, chegando a 37,5%; e os que já enfrentavam tarifas específicas, como aço e alumínio, com alíquota de 50% baseada em outra lei americana.
Impacto econômico e complexidade tarifária
Segundo a Câmara Americana de Comércio no Brasil (Amcham), a nova tarifa de 12,5% alcançará cerca de 3 mil produtos brasileiros, correspondentes a US$ 12,5 bilhões em exportações anuais aos EUA. "Para 85,3% dessas vendas, equivalentes a US$ 10,7 bilhões, seus efeitos serão cumulativos com as tarifas de 25% anunciadas na semana anterior, resultando em sobretaxas de 37,5% — um dos níveis mais elevados aplicados pelos Estados Unidos a seus parceiros comerciais", destaca a entidade.
O especialista em comércio exterior Jackson Campos avalia que, com as mudanças, o cenário tarifário para os produtos brasileiros fica ainda mais complexo. "A partir de agora, será necessário analisar item por item. Além de vender o produto, o empresário brasileiro vai ter que entender de classificação fiscal nos EUA e ser bom em matemática", afirma.
Cronologia do tarifaço de Trump
A nova tarifa de 12,5% entra em vigor no mesmo dia em que a tarifa global de 10%, adotada por Trump em fevereiro deste ano, perde a validade. Na prática, o governo americano substitui uma cobrança pela outra. Veja a cronologia:
- Em abril de 2025, Trump aplicou uma taxa adicional de 10% sobre produtos brasileiros com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA).
- Em junho, elevou as taxas sobre aço e alumínio para 50%, com base na Seção 232 da Lei de Expansão Comercial dos EUA de 1962.
- Em julho, impôs um novo aumento de 40%, elevando a alíquota total de diversos itens para 50%, com extensa lista de exceções.
- Em novembro, após negociações com o presidente Lula, os EUA retiraram a tarifa de 40% de novos itens, incluindo café, carnes e frutas.
- Em fevereiro de 2026, a Suprema Corte dos EUA invalidou o uso da IEEPA para tarifas amplas, derrubando a taxa "recíproca" de 10% e a sobretaxa de 40% sobre o Brasil. Aço e alumínio não foram afetados, pois se baseiam na Seção 232.
- No mesmo dia, Trump anunciou uma tarifa global temporária de 10% por 150 dias, com base em dispositivo da lei comercial de 1974, que se soma às tarifas já existentes.
- Em 22 de julho, entrou em vigor a tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, com base na Seção 301.
- Nesta sexta (24), passa a valer a nova tarifa de 12,5%, substituindo a tarifa global de 10%.



