EUA devem impor tarifa de 12,5% a produtos brasileiros por trabalho forçado
EUA devem impor tarifa de 12,5% a produtos do Brasil

O governo brasileiro considera certa a aplicação de uma nova tarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros pelos Estados Unidos ainda nesta semana, sob a alegação de que o Brasil importa bens produzidos com trabalho forçado. A primeira taxa de 25%, que recai sobre itens vendidos pelo país aos EUA por supostas práticas desleais de comércio, entrou em vigor nesta quarta-feira (22).

Novas tarifas dos EUA

Na terça-feira (21), o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, afirmou que o governo Donald Trump deve anunciar novas tarifas para aproximadamente 60 países. O Brasil é uma das nações investigadas pelo órgão americano por essa suposta prática. Na avaliação do governo brasileiro, essa taxa de 12,5% seria utilizada pelos EUA para driblar restrições impostas pela Suprema Corte daquele país, que derrubou a tarifa de 10% aplicada ao Brasil e a diversos outros países no ano passado. Por determinação do Judiciário americano, essa sobretaxa de 10% perde validade nesta semana. Com sua derrubada, a tarifa de 12,5% passaria a substituí-la.

Declaração do ministro

— A investigação do trabalho forçado termina na próxima sexta-feira. Aí vamos ficar sabendo se vai ser cumulativo ou não. Se vamos ter 25% mais 12,5% ou se vamos ter exclusão. A expectativa é que venha para todos. Essa Seção 301 do trabalho forçado os EUA criaram para substituir aqueles 10% que vão acabar na semana que vem — disse o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, em entrevista coletiva na semana passada.

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Além disso, auxiliares do presidente Lula relatam que uma eventual reversão da decisão do governo Trump era considerada mais provável em relação à tarifa de 25% anunciada na semana passada do que neste caso.

Investigação do USTR

A investigação do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) aponta que o Brasil compra produtos de países que não adotam boas práticas trabalhistas. Dessa forma, os produtos chegariam ao Brasil a preços mais baixos, causando uma concorrência desleal com o mercado americano. Ao todo, 60 países foram alvo dessa investigação sobre trabalho forçado.

Em entrevista à CNBC na terça-feira, Jamieson Greer confirmou que os EUA anunciarão essas tarifas sobre cerca de 60 países. A investigação coloca o Brasil no grupo de países que importaram produtos que teriam sido feitos com trabalho forçado entre 2021 e 2025. São cinco os produtos listados no caso brasileiro: alumínio, algodão, eletrônicos, baterias de lítio e tabaco.

Argumento dos EUA

O USTR sustenta que o Brasil "falhou em impor e aplicar de forma efetiva" uma proibição à importação de bens produzidos com trabalho forçado e afirma que, embora o país cite compromissos assumidos em acordos de investimento e comércio, essas regras não proibiriam expressamente a entrada, no mercado doméstico, de mercadorias produzidas total ou parcialmente com trabalho forçado em outro país. O principal argumento é que o Brasil compra bens de países que não aplicam leis trabalhistas equivalentes às americanas, mas a investigação também aponta o uso de trabalho forçado em determinadas atividades no próprio país.

O Brasil e outros 53 países são alvos da proposta de tarifa de 12,5%. Canadá, Equador, União Europeia, Indonésia, México e Paquistão tiveram proposta de tarifa de 10%. Segundo os Estados Unidos, essas economias proíbem a importação de produtos feitos com trabalho forçado e se comprometeram a fazer cumprir essa proibição por meio de um Acordo de Comércio Recíproco ou adotaram um regime parcial para impedir a importação de determinados bens produzidos com trabalho forçado.

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