O que aconteceu
A taxa de desemprego no Brasil caiu para 5,4% no trimestre encerrado em junho, conforme dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado representa o menor nível para o período desde 2014 e ficou abaixo das expectativas do mercado, que projetava 5,6%.
Detalhes da queda
A redução foi puxada pelo aumento da ocupação em setores como serviços e comércio, que juntos geraram mais de 1,2 milhão de postos de trabalho no trimestre. A população ocupada atingiu 98,5 milhões de pessoas, enquanto a desocupada somou 5,7 milhões.
Impacto na economia
O mercado de trabalho aquecido tem funcionado como um amortecedor para os efeitos da política monetária restritiva, que mantém a Selic em 13,75% ao ano. Com mais pessoas empregadas e renda circulando, a atividade econômica se mantém resiliente, o que reduz a pressão sobre o Banco Central para cortar os juros.
Economistas consultados pelo Boletim Focus passaram a reduzir as expectativas de queda da Selic nos próximos meses, diante da força do mercado de trabalho e da inflação ainda acima da meta. A mediana das projeções para a Selic no fim de 2023 subiu para 12,75%, ante 12,50% na semana anterior.
O desemprego baixo também tem impacto fiscal, pois reduz gastos com seguro-desemprego e aumenta a arrecadação previdenciária. O governo já revisou para cima a projeção de crescimento do PIB para este ano, em parte graças ao mercado de trabalho aquecido.
Apesar do cenário positivo, especialistas alertam que a taxa de desemprego ainda não reflete plenamente a qualidade dos postos de trabalho, com alta informalidade e subutilização da força de trabalho. A taxa de subutilização ficou em 17,4%, ainda elevada para padrões históricos.



