MPT investiga colégio salesiano por assédio moral e intolerância religiosa
MPT investiga colégio salesiano por assédio moral e intolerância

Investigação do MPT em Cuiabá

O Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso (MPT-MT) instaurou um procedimento investigatório contra o Colégio Salesiano São Gonçalo, localizado em Cuiabá, e seu diretor-geral, padre Marcelo Fujimura. A apuração foi motivada por denúncias de supostos casos de assédio moral, incluindo intolerância religiosa, apresentadas pelo Sindicato dos Trabalhadores de Ensino do Estado de Mato Grosso (Sintrae-MT).

De acordo com o MPT-MT, a representação foi protocolada pelo sindicato antes mesmo da divulgação de uma carta aberta à imprensa na última semana. Após receber a denúncia, o órgão marcou uma audiência para ouvir os representantes sindicais e obter mais esclarecimentos sobre os fatos relatados. Paralelamente, a instituição de ensino foi notificada para apresentar manifestação e prestar os esclarecimentos considerados necessários durante a investigação.

Denúncias do sindicato

Em carta aberta direcionada ao diretor-geral, o Sintrae-MT afirma que a atual gestão teria provocado uma deterioração do ambiente de trabalho em poucos meses. O documento sustenta que professores e funcionários administrativos estariam sendo submetidos a práticas de assédio moral e descreve uma série de condutas atribuídas ao diretor, ao vice-diretor (identificado apenas como padre Danilo) e à coordenadora pedagógica, Michela Falcão.

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Entre as situações apontadas pelo sindicato estão: suposta intolerância religiosa e desrespeito à diversidade; tratamento considerado grosseiro com professores e funcionários; cobranças administrativas consideradas abusivas, inclusive fora da jornada de trabalho; entrada de gestores em salas de aula sem aviso prévio, com o objetivo de constranger docentes; elaboração de relatórios com avaliações subjetivas e consideradas depreciativas sobre o trabalho dos professores; abordagem de estudantes para obter avaliações negativas dos docentes; e constrangimentos de professores diante de alunos durante as aulas.

Conforme o sindicato, essas práticas teriam provocado abalos emocionais, adoecimento de trabalhadores, desmotivação e perda de confiança no ambiente escolar. No documento, a entidade também critica o modelo de gestão adotado pela direção e questiona se a instituição estaria tratando a educação como mercadoria, os estudantes como clientes e os trabalhadores como “balconistas”, em desrespeito aos princípios constitucionais que regem o ensino.

Descumprimento de TAC de 2008

Além da apuração das novas denúncias, o MPT-MT também instaurou um procedimento para verificar um possível descumprimento de um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) firmado entre o Colégio Salesiano São Gonçalo e o MPT-MT em 2008. Entre as obrigações previstas no acordo está a de não praticar atos que possam caracterizar assédio moral no ambiente de trabalho.

O MPT ressaltou que, neste momento, a investigação busca reunir informações e verificar a procedência das denúncias, além de analisar se houve eventual descumprimento das obrigações assumidas pelo colégio no TAC firmado há mais de uma década.

Resposta do colégio

O g1 entrou em contato com o Colégio Salesiano São Gonçalo, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. Os procedimentos seguem em andamento e os fatos recentemente denunciados ainda estão sendo apurados pelo MPT-MT.

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