O julgamento dos ex-policiais militares Glauco Sérgio Soares do Bonfim e José Luciano Souza de Queiroz, acusados pelo assassinato do advogado Francisco Di Angellis Duarte de Morais, foi adiado para o dia 4 de novembro. A decisão foi tomada pela Justiça cearense nesta quinta-feira (30), data originalmente marcada para a sessão do Tribunal do Júri. O adiamento ocorreu porque o Ministério Público do Ceará (MPCE) sustentou ser imprescindível a presença de uma testemunha durante o julgamento, que não pôde comparecer.
Adiamento do julgamento
Os dois ex-PMs foram pronunciados – ou seja, encaminhados para julgamento popular – por decisão da Justiça Estadual em maio de 2025. A defesa dos réus chegou a recorrer, mas posteriormente desistiu do recurso. Agora, eles respondem pelos crimes de homicídio qualificado e associação criminosa perante o júri popular. Glauco Bonfim já possui antecedentes criminais por posse irregular de arma de fogo, enquanto José Luciano responde por homicídio, porte ilegal de arma de fogo e lesão corporal.
O crime ocorreu na noite de 6 de maio de 2023, no bairro Parquelândia, em Fortaleza. O advogado Francisco Di Angellis chegava em sua residência quando foi surpreendido por dois homens em uma motocicleta, que efetuaram os disparos. Segundo a denúncia do MPCE, os atiradores seriam justamente Glauco Sérgio e José Luciano.
O crime e a investigação
As investigações revelaram que, dias antes do assassinato, a dupla instalou um rastreador no veículo da vítima, monitorando seus movimentos para preparar a emboscada. Di Angellis trabalhava para um portal de notícias sediado em Fortaleza. De acordo com depoimentos colhidos durante o processo, o portal havia publicado matérias que "questionavam a honestidade" do empresário Ernesto Wladimir de Oliveira Barroso, dono de uma empresa da área da saúde.
Segundo a denúncia, Ernesto teria sido o mandante do crime. Ele teria se reunido com o advogado e dois mediadores, ocasião em que Di Angellis teria exigido R$ 1,5 milhão para retirar as matérias do ar. O empresário, por sua vez, teria aceitado pagar R$ 800 mil. Testemunhas, inclusive a esposa de Ernesto, confirmaram que o acordo foi fechado.
Rastreador e extorsão
No dia 28 de abril de 2023, Ernesto e Di Angellis se encontraram em uma padaria no município do Eusébio, na região metropolitana de Fortaleza. Na ocasião, o empresário teria entregue os R$ 800 mil ao advogado. De acordo com o MP, os ex-PMs aproveitaram o momento para instalar o rastreador no escapamento do carro da vítima, ferramenta considerada fundamental para a execução do crime.
Uma testemunha que trabalhava na padaria afirmou ter visto Ernesto e Glauco Sérgio juntos no local, sendo que Ernesto era cliente regular do estabelecimento. Apesar disso, a Justiça considerou que não havia provas suficientes para ligar o empresário aos executores.
Empresário não vai a julgamento
Ernesto Wladimir de Oliveira Barroso foi denunciado pelo MPCE como mandante do assassinato, mas a Justiça decidiu impronunciá-lo, ou seja, ele não será levado a julgamento pelo Tribunal do Júri. Na decisão, a 1ª Vara da Comarca do Júri afirmou que "a instrução processual não logrou demonstrar a presença de elementos indiciários robustos aptos a autorizar o encaminhamento do acusado Ernesto Wladimir Oliveira Barroso a julgamento pelo Tribunal do Júri".
A magistrada destacou que, embora houvesse indícios de que Ernesto teria fechado o acordo financeiro com a vítima, não foi possível comprovar nenhuma conexão direta entre ele e os ex-policiais. "Não há elementos concretos que evidenciem os indícios de autoria delitiva em relação a Ernesto, uma vez que já tinham ocorrido outras tentativas de Glauco e José Luciano de instalar o rastreador", afirmou a decisão de pronúncia dos réus.
O julgamento adiado para 4 de novembro será realizado no Fórum Clóvis Beviláqua, em Fortaleza. A expectativa é de que o júri popular analise as provas contra Glauco Sérgio e José Luciano, enquanto o suposto mandante permanece sem punição até o momento.



