O vendaval que atingiu o estado do Rio de Janeiro na quarta-feira (29) deixou mais de meio milhão de imóveis sem energia elétrica e comprometeu o abastecimento de água em diversos bairros da capital e da Baixada Fluminense. Até a tarde desta quinta-feira (30), cerca de 300 mil residências ainda permaneciam no escuro, segundo a concessionária Light. A ventania, que derrubou árvores e estruturas, causou um efeito cascata no sistema de abastecimento de água, afetando milhões de moradores.
Temporal causa apagão e desabastecimento de água no Rio
A interrupção no fornecimento de energia elétrica desativou a Elevatória do Lameirão, operada pela Cedae, responsável por bombear água para a Estação de Tratamento de Água (ETA) Guandu. Com a paralisação, a ETA Guandu, que abastece quase toda a Região Metropolitana do Rio, operou com apenas 55% de sua capacidade, reduzindo drasticamente a distribuição de água. A Cedae informou que o funcionamento começou a ser normalizado ainda na quarta-feira, às 18h, mas a recuperação total do sistema pode levar até 48 horas.
Mais de 300 mil imóveis seguem sem energia
A Light, distribuidora de energia, relatou que equipes trabalham ininterruptamente para restabelecer a eletricidade, mas a empresa não forneceu um prazo definitivo para a normalização completa. Os bairros mais afetados incluem áreas da Zona Norte, Zona Oeste e Baixada Fluminense. A queda de árvores e postes, como ocorreu na Rua Pinto de Figueiredo, na Tijuca, danificou a rede elétrica e dificultou os reparos.
Abastecimento de água comprometido em várias regiões
A concessionária Águas do Rio, responsável pelo abastecimento da maior parte da capital e da Baixada, informou que os reparos nas elevatórias e vazamentos devem ser concluídos até a meia-noite desta quinta-feira. Após isso, a normalização do fornecimento de água poderá levar até 72 horas, o que significa que parte da população pode ficar sem água até domingo (2). Moradores relataram a falta d'água pelo WhatsApp do RJTV. Nivia Lima, da Tijuca, escreveu: “Moro na Rua Monsenhor Mac Dowell, próximo às ruas Maria Amália e Garibaldi. O fornecimento de água foi interrompido.” Já Adeline Oliveira, de Santíssimo, disse: “Estamos sem água em Santíssimo desde a tarde de ontem.”
Previsão de normalização e áreas afetadas
A Águas do Rio listou as regiões que podem sofrer com o desabastecimento por até 72 horas após os reparos: na capital, bairros como Brás de Pina, Complexo do Alemão, Del Castilho, Engenho da Rainha, Irajá, Jacaré, Jacarezinho, Mangueira, Morro dos Telégrafos, Penha Circular, Riachuelo, Rocha, Sampaio, São Francisco Xavier, Vila da Penha, Campinho, Madureira, Praça Seca e Arará. Em Belford Roxo, toda a cidade está afetada. Em Duque de Caxias, os bairros Bar dos Cavaleiros, Centenário, Centro, Dr. Laureano, Gramacho, Jardim 25 de Agosto, Olavo Bilac, Parque Duque, Parque Fluminense, Parque Sarapuí, Periquito, São Bento, Vila São José e Vila São Luiz. Em São João de Meriti, Jardim Metrópole, Jardim Paraíso e Jardim Sumaré. Em Nova Iguaçu, Boa Esperança, Cerâmica, Engenho Pequeno, Jardim Tropical, Miguel Couto, Prata, Ponto Chic, Rancho Novo, Tinguazinho, Viga e Vila Operário.
A concessionária Rio+Saneamento informou que partes da Zona Oeste e o município de Itaguaí continuam impactados por problemas no fornecimento de energia, que afetam sistemas de bombeamento. A empresa não deu prazo para normalização, afirmando que “após a normalização do fornecimento de energia elétrica, o abastecimento será restabelecido de forma gradual”. Já a Iguá Saneamento, responsável pela Barra da Tijuca e Jacarepaguá, disse não ter registrado vazamentos, mas foi impactada pela redução na operação da ETA Guandu. “Tão logo o sistema da Cedae atinja 100% da capacidade operacional, será normalizado gradativamente o abastecimento nas regiões atendidas pela Iguá Rio”, informou.



