Confiança Empresarial Cai em Julho, Aponta FGV
Confiança Empresarial Cai em Julho, Diz FGV

A confiança dos empresários brasileiros recuou em julho, interrompendo uma sequência de dois meses de avanços, de acordo com dados divulgados pela Fundação Getulio Vargas (FGV). O Índice de Confiança Empresarial (ICE) caiu 1,1 ponto, passando de 95,7 pontos em junho para 94,6 pontos em julho.

O resultado reflete uma piora nas expectativas dos empresários em relação aos próximos meses, enquanto a avaliação sobre o momento atual permaneceu praticamente estável. A queda foi disseminada entre os setores, com destaque para a indústria e os serviços, que registraram as maiores retrações.

O que explica a queda?

Segundo a FGV, a redução da confiança está associada a um cenário de maior incerteza econômica, tanto no âmbito doméstico quanto internacional. Os empresários demonstram cautela diante de fatores como a volatilidade cambial, a persistência da inflação e as indefinições no cenário fiscal.

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O economista da FGV responsável pela pesquisa, Renato Duarte, afirmou que "a queda em julho sinaliza que os empresários estão menos otimistas com a economia nos próximos meses, mas ainda mantêm uma avaliação relativamente positiva do cenário atual". Ele acrescentou que "a continuidade desse movimento dependerá da evolução do quadro político e econômico"

Detalhamento por setores

Entre os setores pesquisados, a indústria foi o que apresentou a maior queda, com o índice recuando 1,8 ponto, para 93,2 pontos. Os serviços também mostraram forte retração, com baixa de 1,5 ponto, para 94,1 pontos. No comércio, a confiança caiu 0,8 ponto, para 96,3 pontos, enquanto na construção civil o recuo foi de 0,5 ponto, para 92,7 pontos.

Esses números indicam que a deterioração das expectativas foi mais intensa nos setores ligados à atividade industrial e de serviços, que são mais sensíveis às condições de crédito e à demanda interna.

Impacto na economia

A queda da confiança empresarial pode ter implicações para o crescimento econômico, uma vez que a confiança é um indicador antecedente de investimentos e contratações. Com expectativas menos favoráveis, os empresários tendem a adiar projetos de expansão e reduzir a contratação de novos funcionários, o que pode afetar a recuperação econômica.

O ICE é calculado com base em pesquisas realizadas em todo o país, abrangendo empresas de diferentes portes e setores. A FGV utiliza uma escala de 0 a 200 pontos, sendo que valores acima de 100 indicam otimismo e abaixo de 100, pessimismo. O índice de julho, de 94,6 pontos, permanece abaixo do nível neutro, sinalizando que, no geral, os empresários seguem cautelosos quanto ao futuro.

Especialistas ouvidos pelo Valor destacam que a queda da confiança pode ser um sinal de desaceleração da atividade econômica no segundo semestre, especialmente se as incertezas políticas e econômicas persistirem. No entanto, ressaltam que ainda é cedo para afirmar que a tendência de alta dos meses anteriores foi revertida.

O próximo levantamento da FGV, referente a agosto, será divulgado no fim do mês e poderá indicar se a queda de julho foi pontual ou se representa uma mudança de trajetória.

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