O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Burnham, anunciou nesta segunda-feira a nomeação do ex-ministro da Defesa, John Healey, como novo chanceler do Tesouro. A decisão ocorre em um momento de pressão sobre as contas públicas britânicas, com a dívida nacional ultrapassando 100% do PIB.
Substituição surpresa no comando econômico
John Healey substitui Rachel Reeves, que ocupava o cargo desde a vitória trabalhista em 2024. Reeves deixou o posto após divergências com Burnham sobre a estratégia de ajuste fiscal. Healey, que comandou o Ministério da Defesa por dois anos, é visto como um nome de confiança do premiê para implementar cortes de gastos e aumentar a arrecadação.
Segundo fontes do governo, a troca foi motivada pela necessidade de acelerar reformas econômicas antes da apresentação do orçamento de outono. Healey terá a missão de equilibrar as contas sem comprometer promessas de campanha, como investimentos em saúde e educação.
Reações do mercado e da oposição
O mercado financeiro reagiu com cautela. A libra esterlina manteve-se estável, mas os juros dos títulos de longo prazo subiram ligeiramente. Analistas apontam que a nomeação de Healey, com perfil mais austero, pode sinalizar uma guinada conservadora na política fiscal.
A oposição conservadora criticou a mudança. "É a admissão de que o plano econômico trabalhista fracassou", disse o porta-voz de finanças do Partido Conservador, Jeremy Hunt. "Healey não tem experiência em economia e será um fantoche de Burnham."
Perfil do novo chanceler
John Healey, 58 anos, é formado em economia pela Universidade de Cambridge. Antes de entrar para a política, trabalhou como analista financeiro. No Ministério da Defesa, foi responsável por modernizar as forças armadas e aumentar o orçamento militar para 2,5% do PIB.
Em seu primeiro discurso como chanceler, Healey afirmou que priorizará a "responsabilidade fiscal" e a "estabilidade econômica". "Não vamos repetir os erros do passado. O Reino Unido viverá dentro de seus meios", declarou.
Desafios imediatos
O novo chanceler enfrenta uma economia com crescimento lento, inflação acima da meta de 2% e pressão por aumentos salariais no setor público. O déficit orçamentário deve chegar a 4,5% do PIB neste ano, segundo o Escritório de Responsabilidade Orçamentária (OBR).
Healey já sinalizou que pode rever subsídios e isenções fiscais para empresas. Também estuda um aumento no imposto sobre ganhos de capital, medida que gerou polêmica dentro do próprio Partido Trabalhista.
A nomeação precisa ser aprovada pelo rei Charles III, mas é considerada uma formalidade. Healey assumirá o cargo na próxima semana.



