O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Márcio Elias Rosa, afirmou que, apesar da nova sobretaxa de 12,5% imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, cerca de 2 mil itens exportados pelo Brasil permanecem isentos da taxa. A declaração foi feita em entrevista coletiva nesta quarta-feira, 23 de julho de 2026.
Medida dos EUA atinge 59 países
A tarifa adicional foi aplicada sob a alegação de que o Brasil e outras 59 nações não estariam conseguindo barrar a entrada de importações fabricadas com trabalho forçado. O governo norte-americano justifica a medida como parte de sua política de combate ao trabalho escravo moderno.
No entanto, o ministro Márcio Elias Rosa criticou duramente a decisão. “Não há base legal para essa taxação. O Brasil tem uma das legislações trabalhistas mais rigorosas do mundo e combate ativamente o trabalho forçado”, declarou.
Governo Lula promete reciprocidade e ação na OMC
O governo brasileiro já anunciou que irá acionar a Lei de Reciprocidade, que permite ao país adotar medidas equivalentes contra produtos norte-americanos. Além disso, o Brasil pretende levar o caso à Organização Mundial do Comércio (OMC), contestando a legalidade da tarifa.
“Vamos usar todos os instrumentos diplomáticos e legais disponíveis para defender nossos exportadores. A ação na OMC será prioridade”, afirmou o ministro.
Impacto nos produtos brasileiros
Dos aproximadamente 2,5 mil produtos que o Brasil exporta para os EUA, 2 mil permanecem sem a sobretaxa, o que representa 80% da pauta exportadora. Os itens taxados incluem principalmente produtos siderúrgicos, alumínio e alguns químicos. O ministro destacou que o impacto imediato será limitado, mas que o governo monitora a situação de perto.
A medida dos EUA entra em vigor em 30 dias, e o governo brasileiro trabalha para minimizar os efeitos sobre a economia nacional. O Ministério do Desenvolvimento estima que a tarifa pode afetar cerca de US$ 1,5 bilhão em exportações anuais.



