O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da China, Xi Jinping, defenderam em conversa telefônica no domingo a aceleração das negociações para um acordo entre o Mercosul e a China, segundo nota divulgada pelo governo brasileiro. A conversa, que durou mais de uma hora, reforçou o compromisso dos dois líderes em ampliar a cooperação em áreas estratégicas e de alta tecnologia.
Cooperação em tecnologia e minerais críticos
Lula e Xi reiteraram o propósito de expandir a parceria em setores como inteligência artificial, satélites, beneficiamento de minerais críticos e comércio de fertilizantes. A implementação das sinergias entre os projetos nacionais de desenvolvimento dos dois países também foi tema central do diálogo. A aproximação visa fortalecer as economias diante de um cenário global incerto, marcado por tensões geopolíticas e desafios no comércio internacional.
Apoio à soberania brasileira e visão estratégica
De acordo com a agência estatal chinesa Xinhua, Xi Jinping afirmou que a China apoia o Brasil na defesa de sua soberania e independência, opondo-se à 'interferência externa'. O líder chinês também destacou o apoio ao papel do Brasil na manutenção da paz e estabilidade regionais e globais. Xi acrescentou que a China está pronta para fortalecer ainda mais a coordenação estratégica bilateral e multilateral com o Brasil, 'mantendo assim o ímpeto positivo na construção de uma comunidade China-Brasil com um futuro compartilhado', conforme informou a agência. Essa declaração reflete a sintonia entre os dois países em temas de governança global e desenvolvimento.
Crise no Oriente Médio e guerra na Ucrânia
Os presidentes também abordaram a crise no Oriente Médio e seus impactos na economia global, bem como a situação humanitária em Gaza. Defenderam que o Grupo de Amigos da Paz, iniciativa multilateral que reúne países em desenvolvimento, pode desempenhar um papel relevante na retomada das negociações para o fim da Guerra na Ucrânia. Ambos os líderes expressaram preocupação com os efeitos dos conflitos sobre os preços de energia e alimentos, que afetam desproporcionalmente as nações do Sul Global.
Críticas ao Conselho de Segurança da ONU e perspectivas de reforma
Lula e Xi criticaram a incapacidade do Conselho de Segurança das Nações Unidas de responder adequadamente a essas crises. Observaram que a próxima liderança da ONU enfrentará um cenário internacional desafiador, clamando por reformas que tornem o órgão mais representativo e eficaz. A posição conjunta reforça a defesa histórica de ambos os países por um multilateralismo renovado, com maior participação de economias emergentes.
Impacto na economia global e perspectivas
A conversa entre os dois líderes também tratou dos desdobramentos econômicos das tensões geopolíticas. A aceleração do acordo Mercosul-China é vista como um passo estratégico para mitigar os efeitos da instabilidade global e impulsionar o comércio entre os blocos. Para o Brasil, a parceria com a China representa uma oportunidade de diversificar exportações e atrair investimentos em setores de alto valor agregado, como tecnologia e mineração sustentável. A expectativa é que as negociações avancem nos próximos meses, com benefícios mútuos para ambas as regiões.



