Argentina minimiza crise diplomática com Brasil e nega impacto comercial
Argentina minimiza crise diplomática com Brasil

O porta-voz da Presidência argentina, Adrian Ravier, minimizou a crise diplomática com o Brasil, afirmando que “sempre houve insultos de ambos os lados”. Em coletiva de imprensa na tarde desta terça-feira, 28, Ravier assegurou que se trata de “diferenças ideológicas e políticas”, mas esclareceu que “a Argentina nunca as levou ao plano diplomático”. Ele também destacou que a intenção não é afetar as relações comerciais.

Contexto da tensão

A declaração foi dada em meio à tensão diplomática entre Brasília e Buenos Aires, desencadeada depois que o presidente argentino, Javier Milei, viajou a São Paulo para participar da convenção que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência pelo PL. O gesto foi interpretado pelo governo brasileiro como uma ingerência nos assuntos internos do país, uma vez que Milei é um aliado político do ex-presidente Jair Bolsonaro e crítico do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Posição oficial argentina

Ravier reforçou que a Argentina mantém uma política de não interferência, mas defendeu o direito de Milei expressar suas opiniões políticas. “O presidente tem liberdade para participar de eventos partidários no exterior, assim como líderes brasileiros já fizeram na Argentina”, disse. Ele ainda ressaltou que as relações comerciais entre os dois países são estratégicas e não serão prejudicadas por divergências políticas.

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De acordo com dados do Ministério da Economia argentino, o Brasil é o principal parceiro comercial da Argentina, com um intercâmbio bilateral que ultrapassou US$ 30 bilhões em 2024. Ravier afirmou que “nenhum governo argentino colocaria em risco essa relação por questões ideológicas”.

Reação do Brasil

O governo brasileiro ainda não se pronunciou oficialmente sobre as declarações de Ravier, mas fontes do Palácio do Planalto indicam que a visita de Milei foi vista com desconforto. O embaixador argentino em Brasília foi convocado para esclarecimentos na segunda-feira, 27. Analistas políticos apontam que a crise pode afetar a dinâmica do Mercosul, mas ambos os lados demonstram interesse em manter a cooperação econômica.

“A Argentina nunca levou as diferenças ao plano diplomático”, reiterou Ravier, tentando encerrar o mal-estar. Ele concluiu que “o importante é que os laços comerciais e de amizade entre os povos continuem fortes.”

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