Advogada investigada por apropriação de R$ 1 milhão em Pedreira
Advogada investigada por apropriação de R$ 1 milhão

A Polícia Civil de Pedreira (SP) instaurou inquérito para apurar a conduta da advogada Carla Roberta Marchesini, suspeita de se apropriar indevidamente de valores de processos judiciais e aplicar golpes em clientes. As investigações apontam prejuízos que somam aproximadamente R$ 1 milhão, envolvendo ao menos duas famílias.

Golpe com aluguéis de imóvel de falecido

Em um dos casos, Carla teria sido contratada para administrar os aluguéis de imóveis pertencentes a um homem falecido. O acordo previa que os recursos fossem usados para pagar impostos, como IPTU e ITCMD, e o saldo depositado em conta judicial até a conclusão do inventário. Contudo, os herdeiros descobriram que nenhum valor foi depositado e os tributos não foram quitados.

Outra família lesada em ação trabalhista

No segundo caso, uma família pagou honorários à advogada para se defender de uma ação trabalhista. Os clientes, no entanto, só souberam da condenação quando um imóvel foi levado a leilão para pagamento da dívida. A defesa não foi apresentada, e o processo transcorreu à revelia.

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Segundo informações obtidas pela EPTV, afiliada da TV Globo, mensagens encontradas pela polícia indicam que Carla teria confessado a fraude a uma colega. Em uma das conversas, ela escreveu: "Nós forjamos tudo sem direito de resposta. O que eu fiz? Deixei o processo rolar, não defendi para o cliente perder o imóvel e eu conseguir dar esse bem a [outra pessoa citada no processo]. Eu roubei o dinheiro. A gente foi até o banco porque dei uma desculpa para ele falando que não tinha como depositar em juízo e depositei na minha conta."

Comerciante perde imóvel avaliado em R$ 1,5 milhão

Em um desdobramento do caso, um comerciante contratou Carla para defendê-lo em uma ação trabalhista na Vara do Trabalho de Amparo (SP). Ele foi condenado a pagar R$ 250 mil, mas cabia recurso. A advogada teria solicitado R$ 9 mil para custear o preparo recursal, mas o recurso nunca foi apresentado, e a decisão transitou em julgado. Para pagar a sentença, a Justiça leiloou um imóvel do comerciante avaliado em R$ 1,5 milhão, arrematado por R$ 250 mil.

Mesmo com o processo em fase de execução, Carla teria convencido a família a transferir R$ 250 mil para "anular" o leilão, mas o dinheiro não foi levado ao juízo e nenhuma contestação foi apresentada. Uma das vítimas, que preferiu não se identificar, relatou: "Nós começamos a receber notificações de um imóvel que teria ido para leilão. Entrei em contato com a advogada e ela, por questão da pandemia, falou que estava tudo parado, que não estava andando e apresentou algumas guias. Na realidade, nada estava acontecendo."

Documentações falsas e sumiço da advogada

De acordo com os inquéritos, Carla também teria apresentado guias e documentos falsos para negar a apropriação dos aluguéis do imóvel do falecido. A professora Sabrina Begalli, uma das herdeiras, afirmou: "Não foi pago, não havia dinheiro e depois disso foi difícil conseguir contato com ela, porque aí ela também sumiu."

O advogado Vinicius Imbrunito, que representa as vítimas, confirmou a falsidade documental: "O inquérito policial conseguiu levantar informações sobre documentos bancários cuja resposta das instituições bancárias foi no sentido de que não eram documentos reconhecidos por eles." Ele acrescentou: "Fizemos uma diligência na Justiça do Trabalho, pedi para que fosse levantado diretamente na Justiça do Trabalho se havia algum valor depositado judicialmente nesses processos e a resposta foi negativa."

Defesa de Carla e providências da OAB

Em nota, Carla Roberta Marchesini ressaltou que a investigação está em andamento e que não há condenação. Ela alegou que as acusações "decorrem de conflitos pessoais anteriores" e que não correspondem à realidade dos fatos. "Me manifestarei perante as autoridades competentes e confio que a apuração completa esclarecerá os fatos e demonstrará minha inocência. Tenho convicção de que, oportunamente, a própria emissora poderá noticiar o desfecho definitivo desta história, com base em decisão judicial, inclusive quanto às responsabilidades de quem efetivamente tenha praticado qualquer ilícito", finalizou.

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A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) informou que apura todas as infrações que chegam ao conhecimento da entidade. Segundo a polícia, há registro de nove processos disciplinares contra a profissional abertos no Tribunal de Ética e Disciplina, que correm em sigilo.

Próximos passos

Após a conclusão dos inquéritos, o Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) decidirá se apresenta denúncia contra a advogada ou se os casos devem ser arquivados. Se a denúncia for aceita pela Justiça, Carla se tornará ré.