WeWork se reergue: foco em caixa e rentabilidade após crise global
WeWork se reergue: foco em caixa e rentabilidade

A WeWork, que viveu um calvário global marcado por atrasos de aluguéis, ações de despejo e fechamento de unidades, apresenta-se agora como uma empresa financeiramente saudável. Expandir deixou de ser prioridade; o foco atual é geração de caixa recorrente e melhora da rentabilidade.

Resultados financeiros e reestruturação

“Temos uma companhia sã financeiramente, que não tem dívida e com fluxo de caixa positivo por três trimestres consecutivos”, afirma Claudio Hidalgo, presidente da WeWork na América Latina. “Em 12 anos, nunca tínhamos conseguido fazer isso.” A receita global atingiu US$ 2,3 bilhões em 2025, ligeiramente acima dos US$ 2,2 bilhões de 2024. Para 2026, os investimentos previstos são de US$ 80 milhões, concentrados em tecnologia e melhorias nas unidades.

A empresa de escritórios compartilhados havia enfrentado dificuldades financeiras que a levaram a um processso de recuperação judicial nos Estados Unidos. No Brasil, a reestruturação ocorreu sem necessidade de recorrer à Justiça. A crise foi detonada na pandemia, quando muitos clientes migraram para o home office, deixando a WeWork sem receita para cobrir custos fixos. O antigo modelo de negócios — alugar andares inteiros em prédios corporativos com contratos de 5 a 15 anos e cláusulas rígidas de rescisão, para depois sublocar os espaços em contratos flexíveis — mostrou-se frágil.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Novo modelo: preços dinâmicos e flexibilidade

A estrutura foi recalibrada. A WeWork ainda aluga e subloca espaços comerciais, mas agora adota preços dinâmicos que variam conforme a demanda e a taxa de ocupação em cada local. “Se houver muita demanda, os preços sobem, como em companhias aéreas ou aplicativos de transporte”, explica Hidalgo. A gestão dos inquilinos também mudou: há desde empresas que fecham contratos por meses ou anos até aquelas que reservam por dias ou semanas.

Nesse modelo, a meta de ocupação não é 100%, mas cerca de 85%. “Esses 15% de diferença nos dão a flexibilidade de poder incrementar nossa rentabilidade”, ressalta o executivo. Manter uma margem permite realocar membros entre andares e atender solicitações de última hora.

Redução de unidades e foco em rentabilidade

Outra etapa da reestruturação foi a devolução de unidades deficitárias. No pico, em 2019, a WeWork operava cerca de 850 escritórios no mundo; hoje são 600 em 43 países. No Brasil, o número caiu de 31 para 28, nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre, atendendo a 22 mil membros locais. Hidalgo admite que, no passado, a empresa celebrou contratos com aluguéis acima do mercado apenas para garantir crescimento, prática que não se repete. O plano até 2027 não prevê novas aberturas nem aumento de metragem; a prioridade é a rentabilidade dos atuais ativos e a atualização tecnológica das unidades.

Produtos e parcerias como alavancas

Uma das frentes é o lançamento e a expansão do software Workplace, que permite gerenciar escritórios de terceiros e aplicar a metodologia operacional da WeWork em prédios que não pertencem à empresa. O sistema gerencia reservas, acesso à internet, impressoras e outras comodidades, sendo compatível com espaços de outras empresas. Outro pilar é a ampliação de parcerias com empresas do ramo, permitindo que membros utilizem locais onde a WeWork não possui prédios próprios — modelo semelhante ao roaming de telefonia, com compartilhamento de receita e pagamento de royalties.

Em 2025, a WeWork desfez a joint venture com o Softbank para operações na América Latina, passando a deter 100% do controle. “Antes era uma espécie de franquia. Hoje, nossos clientes de São Paulo têm o mesmo serviço de Seul”, observa Hidalgo. A integração visa adotar padrões globais uniformes.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar