A MedQuímica, subsidiária brasileira da farmacêutica indiana Lupin, adquiriu os direitos de produzir e comercializar no mercado brasileiro o medicamento Plasil, antes pertencentes à francesa Sanofi. O valor da transação não foi divulgado, mas a Broadcast+ apurou que os múltiplos giram em torno de dois anos de vendas do remédio, que gera aproximadamente R$ 30 milhões anuais. A expectativa é que o negócio contribua para um crescimento entre 5% e 8% no faturamento da companhia.
Estratégia de diluição de custos fixos
De acordo com o diretor-presidente da MedQuímica, Alexandre França, a incorporação de medicamentos bem posicionados no mercado brasileiro faz parte da estratégia adotada pelo grupo desde 2021: ampliar a presença no país combinando o fortalecimento do portfólio de genéricos com a expansão em medicamentos de marca consolidada e especialidades. “Quanto mais produtos trazemos para a fábrica, maior é a diluição dos custos fixos, beneficiando todo o portfólio”, afirmou França. A integração do Plasil, marca com décadas de presença e demanda estável, fortalece a reputação da MedQuímica e melhora a eficiência operacional.
Contexto de revisão de portfólio da Sanofi
A venda do Plasil ocorre em meio à reestruturação da Sanofi, que concentra investimentos em medicamentos inovadores, terapias biológicas e vacinas de maior valor agregado. No Brasil, esse movimento já havia resultado na venda da Medley para a EMS por R$ 3,2 bilhões neste ano. França avalia que o reposicionamento das grandes farmacêuticas abre espaço para empresas como a MedQuímica adquirirem marcas maduras, com demanda consolidada e geração imediata de receita.
Mudança de estratégia desde 2021
O executivo explicou que a mudança de estratégia ocorreu em 2021, quando a companhia concluiu que o mercado brasileiro de genéricos havia atingido um novo estágio de maturidade. O forte desenvolvimento do segmento, impulsionado por empresas nacionais que ampliaram a concorrência com cópias de qualidade, tornou o ambiente mais competitivo. Diante disso, a MedQuímica passou a reduzir a dependência dos genéricos e a investir em medicamentos isentos de prescrição (MIPs), especialidades e produtos maduros. Entre 2021 e 2022, a empresa adquiriu cinco medicamentos da Bausch Health, incluindo um tratamento para a doença rara de Wilson.
França destacou que o Plasil é um marco por ser uma marca presente no mercado brasileiro há mais de quatro décadas, com eficácia e segurança reconhecidas. Inicialmente, a MedQuímica comercializará os estoques remanescentes produzidos pela Sanofi e, posteriormente, passará a fabricar o medicamento em sua unidade de Juiz de Fora (MG).
Crescimento com genérico de dapagliflozina
Outro vetor importante de crescimento foi o lançamento do genérico nacional da dapagliflozina, cuja patente expirou no ano passado. A MedQuímica afirma ter sido a primeira a obter registro na Anvisa para produzir o medicamento no Brasil. Indicado para diabetes tipo 2, o produto praticamente dobrou o tamanho da operação brasileira da companhia, segundo França, e reforça a estratégia de ampliar o acesso a terapias modernas por meio da produção nacional.
Perspectivas financeiras
Controlada pela Lupin desde 2015, a MedQuímica foi adquirida para servir como plataforma de expansão do grupo no quinto maior mercado farmacêutico do mundo. A empresa encerrou o último ano fiscal (abril de 2025 a março de 2026) com faturamento superior a R$ 400 milhões e projeta alcançar cerca de R$ 500 milhões neste exercício, impulsionada pelo desempenho da dapagliflozina e pela incorporação do Plasil. A companhia produz seus medicamentos em Juiz de Fora e atua nos segmentos de genéricos, MIPs, hospitalares, suplementos alimentares e genéricos de marca.
Esta notícia foi publicada na Broadcast+ em 23/07/2026, às 17:38. A Broadcast+ é uma plataforma líder no mercado financeiro com notícias e cotações em tempo real, além de análises para auxiliar na tomada de decisão.



