A torcida da Noruega viralizou nas redes sociais ao simular uma remada viking dentro do metrô de Nova York, nos Estados Unidos, durante a Copa do Mundo de 2026. A coreografia, que imita movimentos de remar em perfeita sincronia, foi acompanhada pelo meio-campista Martin Ødegaard, que comandava o ritmo com um tambor e baquetas. A comemoração reproduz a tradicional remada viking, que se tornou marca registrada dos torcedores noruegueses no torneio.
Origem da remada viking
A coreografia faz referência às tradições marítimas e à herança deixada pelos vikings, povos originários da Escandinávia — Dinamarca, Suécia e Noruega — que plantavam na primavera e realizavam incursões no exterior durante o verão. A Era Viking, período de maior atividade exploratória e de ataques, estendeu-se do século 8 ao século 11 d.C.
Os vikings tinham forte domínio do uso da terra, sendo muitos agricultores em regiões de clima favorável ao cultivo de cevada, repolho e nabo. A arte também era central em sua identidade. Segundo Davy Cooper, do Shetland Amenity Trust, a joalheria tinha função prática: "Eles exibiam sua afiliação religiosa por meio das joias. Muitas pessoas usavam o martelo de Thor", afirmou. Thor, associado ao trovão, era visto como defensor da ordem divina.
Expansão e comércio viking
O comércio tornou-se mais diversificado à medida que os vikings avançavam pela Europa, combinando conflito e trocas comerciais. Um exemplo é o rio Volga, na atual Rússia, onde os vikings estabelecidos, conhecidos como rus, deram origem ao nome Rússia. A rota comercial do Volga abriu o norte da Europa para trocas com o mundo árabe e o Império Bizantino.
Segundo Cooper, itens saqueados de mosteiros "permitiam comprar coisas que não conseguiam produzir em suas próprias fazendas", como sal, corantes e especiarias, obtidos em troca de mel, peles e pessoas escravizadas. Os vikings chegaram à América do Norte no fim do século 10, onde tiveram relações conflituosas com povos nativos, chamados por eles de "Skræling" — termo que pode ser traduzido como "povo de pele" ou "povo miserável".
Tecnologia naval inovadora
A engenharia naval viking foi revolucionária. "Seus navios eram projetados para velocidade, para transportar o máximo de homens e para avançar rios adentro", afirma Cooper. "O formato do barco criava bolhas na borda das tábuas. Em termos práticos, um navio viking navegava sobre uma espécie de colchão de ar, com muito menos resistência na água." Para navegação, usavam uma "bússola solar", descrita como "um círculo simples com um pino no meio", para medir a posição do sol. Também utilizavam cristais que escureciam ou clareavam conforme a direção, funcionando até em neblina.
Diversidade genética dos vikings
A cultura popular costuma representar os vikings como guerreiros loiros de olhos azuis, mas estudos genéticos desmentem esse mito. Um grupo internacional de geneticistas evolutivos, liderado pelo dinamarquês Eske Willerslev, professor da Universidade de Cambridge e da Universidade de Copenhague, sequenciou os genomas de 442 indivíduos da Era Viking, coletados em mais de 80 sítios arqueológicos.
"O viking típico é descrito como um escandinavo grande, forte e loiro. Mas, na verdade, ser loiro era muito menos comum na Escandinávia na era dos vikings do que agora", explicou Willerslev à BBC. O estudo, a maior análise genética de restos vikings já realizada, demonstrou que seus genes provinham do sul da Europa e da Ásia, indicando grande diversidade étnica.
"Não é possível afirmar com certeza se houve um grupo geneticamente homogêneo que fosse muito escandinavo e igual em toda parte", afirmou Martin Sikora, da Universidade de Copenhague. "Na realidade, havia muita diversidade." A pesquisa também revelou que diferentes grupos vikings viajaram para regiões distintas: dinamarqueses foram principalmente para a Inglaterra, noruegueses para Irlanda, Islândia e Groenlândia, e suecos para o Mar Báltico.
Identidade viking como estilo de vida
Segundo Willerslev, a identidade viking não estava ligada à origem genética ou étnica, mas a um estilo de vida. "O fenômeno viking não é algo escandinavo, no sentido de que não é a etnicidade que determina se alguém é viking ou não. Trata-se de um estilo de vida", afirmou. Os pesquisadores descobriram vikings que "não tinham genes escandinavos". "Graças a este trabalho, estamos mudando a história e, ao mudar a história, também estamos alterando nossa identidade", ponderou Willerslev, considerando isso algo positivo para o debate político baseado na ciência.



