Pedidos de refúgio de venezuelanos no Brasil caem 39,68% em 2025
Pedidos de refúgio de venezuelanos caem 39,68% em 2025

Os pedidos de refúgio por venezuelanos no Brasil atingiram o menor nível desde a pandemia de Covid-19. De janeiro a abril deste ano, 4.274 pessoas de nacionalidade venezuelana solicitaram refúgio ao governo federal, uma redução de 39,68% em relação ao mesmo período de 2024, quando foram registrados 7.086 pedidos. Este é o menor volume de solicitações para os quatro primeiros meses do ano desde 2021, quando a fronteira terrestre estava fechada devido às medidas de contenção da pandemia.

O que é o pedido de refúgio?

O pedido de refúgio é uma proteção legal oferecida pelo Brasil a cidadãos de outros países que sofrem perseguição por motivos de raça, religião, nacionalidade, grupo social ou opiniões políticas, ou que estejam sujeitos a grave e generalizada violação de direitos humanos em seu país de origem. Os dados são do DataMigra, plataforma do Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra), com informações do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e de órgãos de controle migratório como a Polícia Federal (PF). As informações foram confirmadas ao g1 pela pasta.

Análise de especialista

O g1 entrevistou Carolina Pedroso, professora de relações internacionais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que vê uma correlação entre a situação econômica da Venezuela e o fluxo de imigração e pedidos de refúgio. Para a especialista, a tendência de queda que já vinha ocorrendo desde 2023 foi intensificada pela captura de Nicolás Maduro pelo governo de Donald Trump, em janeiro deste ano.

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Queda do êxodo venezuelano ao Brasil

A partir de 2016, a Venezuela passou a ser a nacionalidade com maior número de pedidos de refúgio ao Brasil, devido ao aprofundamento da crise econômica no país. De 2000 a 2025, o Brasil recebeu mais de 553 mil pedidos de refúgio, dos quais a Venezuela respondeu por mais de 50%. Em 2023, os dados do DataMigra já mostravam uma leve tendência de queda, reflexo da atenuação da inflação interna e de outras variáveis, como o crescimento econômico, que apresentaram melhora, de acordo com Pedroso.

“Em termos gerais, a maior parte das pessoas que saem da Venezuela o fazem por questões materiais, mais do que qualquer outro fator. Então, qualquer alívio na situação econômica das famílias acaba refletindo na desistência da imigração, que é sempre um processo difícil e incerto, deixando as pessoas ainda mais vulneráveis”, explica a professora.

Impacto da captura de Nicolás Maduro

Apesar da tendência anterior, a queda brusca nos pedidos de refúgio ao Brasil por venezuelanos ocorreu após a captura do então ditador Nicolás Maduro, em 3 de janeiro deste ano, pelo governo de Donald Trump. Para se ter uma ideia, os pedidos não ficavam abaixo de 7 mil nos primeiros quatro meses desde 2022, ano que registrou 13.803 solicitações de janeiro a abril. Antes disso, o volume só havia sido menor em 2021 (2.188 solicitações no período), quando as fronteiras terrestres estavam fechadas pela emergência sanitária da Covid-19. A abertura do lado brasileiro ocorreu apenas em junho daquele ano.

A professora entende que o retorno de recursos congelados pelas sanções norte-americanas, a permissão de entrada de empresas dos Estados Unidos no país e a reestruturação da dívida venezuelana melhoraram o clima econômico nacional. “Há também o estímulo para que companhias de outros países se sentissem mais seguras a voltar a fazer negócios com a Venezuela”, completa.

Com a presidente interina Delcy Rodríguez no governo, caíram as restrições unilaterais dos EUA, que criavam barreiras para o faturamento de empresas petroleiras e de outros setores estratégicos, como a mineração. Isso devolveu à população a expectativa de que a crise financeira pode se atenuar. “Quando caem essas restrições, pelo menos nesse motor da economia venezuelana, automaticamente os recursos retornam, e o Estado tem mais condições de promover o básico”, afirma.

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