Conflito no Oriente Médio não ameaça abastecimento químico no Brasil, diz setor
Conflito no Oriente Médio não ameaça abastecimento químico

A escalada do conflito no Oriente Médio reacendeu preocupações globais sobre o impacto em cadeias de suprimentos, especialmente nos setores químico e de plásticos. No entanto, para o Brasil, não há evidências de desabastecimento iminente. A indústria química nacional opera com ociosidade recorde de 41% em 2025, o maior nível em três décadas, e em segmentos de intermediários para plásticos a taxa chega a 45%. Isso significa que o país tem capacidade instalada para ampliar rapidamente a produção e compensar eventuais oscilações externas.

Capacidade ociosa e contratos de longo prazo

A alta ociosidade é um dos principais fatores que afastam o risco de escassez. Segundo dados da indústria, o Brasil pode aumentar a produção de resinas e outros insumos sem necessidade de novos investimentos de curto prazo. Além disso, a dinâmica do setor químico global é baseada em contratos de médio e longo prazo com cláusulas de fornecimento firme, o que reduz a exposição a choques repentinos. “Grande parte das transações já está contratada, o que dá previsibilidade”, explica um representante do setor.

Origens das importações

O Brasil importa entre 25% e 30% das resinas que consome, percentual que subiu para cerca de 46% nos últimos anos devido ao aumento da entrada de produtos estrangeiros. Contudo, as principais origens dessas importações estão nas Américas, na Ásia e em outros mercados fora da zona de conflito, minimizando riscos logísticos. “Não há dependência significativa de fornecedores do Oriente Médio para esses insumos”, afirma a análise setorial.

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Riscos pontuais e competitividade

Há vulnerabilidades apenas em segmentos específicos onde o Brasil perdeu capacidade produtiva ou depende fortemente de matérias-primas estratégicas importadas, como fertilizantes nitrogenados e enxofre para ácido sulfúrico. Ainda assim, não se trata de um cenário generalizado. A experiência da pandemia de covid-19 mostrou que, mesmo com cadeias globais severamente impactadas, o Brasil não sofreu colapso no abastecimento de insumos essenciais, graças à combinação de produção doméstica, estoques e importações complementares.

O verdadeiro desafio: competitividade

O ponto central, segundo especialistas, não é o risco de falta de produto, mas a competitividade da produção nacional. O Brasil enfrenta desafios como alto custo de energia, preço do gás natural e assimetrias regulatórias, que reduzem a capacidade da indústria de competir em igualdade com o mercado global. “Mais do que alarmismo, o momento exige foco em soluções para fortalecer a indústria e preservar a capacidade do país de crescer com resiliência”, conclui a análise.

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