Um terremoto de magnitude 7,1 atingiu o sul do Japão nesta terça-feira, 28 de janeiro, provocando o desabamento parcial de um shopping center na região de Kumamoto. O balanço oficial aponta duas mortes e dez pessoas desaparecidas, todas relacionadas ao colapso da estrutura comercial. Mais de 300 mil residentes foram evacuados de suas casas por medida de segurança.
Tremor principal e réplicas
O epicentro do sismo foi localizado em terra, na ilha de Kyushu, sudoeste do Japão, próximo à cidade de Uto, na região de Kumamoto — a mais afetada. O tremor ocorreu às 16h27 (horário local, 4h27 da manhã em Brasília) e foi seguido por pelo menos 60 tremores secundários, alguns de forte intensidade. As ondas sísmicas foram sentidas nas províncias de Fukuoka, Kagoshima, Saga e até na Coreia do Sul, conforme relatos de moradores e autoridades locais.
Desabamento do shopping e explosão
Imagens capturadas no momento do terremoto mostravam prateleiras de supermercado balançando, estacionamentos, postes e semáforos tremendo com a força do solo. A situação mais grave ocorreu em um shopping center da região, onde uma explosão no segundo andar fez com que as paredes desabassem sobre o primeiro andar, soterrando dezenas de pessoas. Equipes de resgate trabalham para localizar as dez vítimas ainda desaparecidas, enquanto os feridos foram encaminhados a hospitais no sul da cidade. Bombeiros foram acionados para conter incêndios que se espalharam pela área.
Danos em infraestrutura e transportes
O terremoto também afetou gravemente a infraestrutura de transportes na ilha de Kyushu. Um trem-bala emitiu alerta de emergência e conseguiu parar a tempo, mas outro trem descarrilhou, sem vítimas fatais relatadas. Pontes desabaram, serviços ferroviários foram suspensos em toda a ilha e o aeroporto que atende a capital regional — uma cidade com mais de 700 mil habitantes — foi fechado para avaliação de danos. No Castelo de Kumamoto, um importante patrimônio histórico, uma parede de contenção desabou. Parte do telhado de um templo local também foi arrancada pela força do abalo.
Reação das autoridades e riscos nucleares
A primeira-ministra Sanae Takaichi declarou que o risco de novos desabamentos está aumentando e pediu que a população se prepare para buscar locais seguros. “A situação permanece crítica. Pedimos que todos sigam as orientações de evacuação e fiquem atentos a alertas”, afirmou em pronunciamento. O epicentro do sismo está próximo à usina nuclear de Sendai, o que gerou preocupação com a segurança da instalação. A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) informou que, até o momento, a usina opera dentro dos parâmetros de segurança, mas o monitoramento será intensificado, pois especialistas alertam para a possibilidade de novos tremores nos próximos dias.
Contexto sísmico e memória de tragédias
O Japão é um dos países com maior atividade sísmica do mundo, com protocolos rigorosos de prevenção e resposta. No entanto, eventos de grande magnitude ainda representam risco significativo. A população japonesa relembra o grande terremoto de 2011, de magnitude 9,0, que gerou um tsunami devastador, matou quase 20 mil pessoas e causou o pior desastre nuclear desde Chernobyl, com o colapso da usina de Fukushima. Em Kumamoto, há dez anos, uma série de terremotos deixou mais de 200 mortos. O terremoto desta terça-feira reacendeu o trauma e a necessidade de vigilância constante diante da força da natureza.



