InnoSpace anuncia novos testes e lançamento de foguete em Alcântara em 2026
InnoSpace anuncia novos testes e lançamento em Alcântara

A empresa sul-coreana InnoSpace anunciou, nesta quarta-feira (22), novas datas para duas missões previstas no Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão. O primeiro voo de teste do veículo suborbital SEBIT está marcado para 19 de agosto de 2026, enquanto o lançamento do foguete HANBIT-Nano deve ocorrer em novembro do mesmo ano. Segundo a empresa, o cronograma foi atualizado devido ao planejamento das campanhas, à organização do uso da estrutura do centro e ao cumprimento de exigências técnicas, operacionais e regulatórias.

Contexto das missões

Os lançamentos fazem parte do movimento de ampliação do uso comercial de Alcântara por empresas privadas do setor espacial. O CLA é uma das principais bases espaciais do Brasil e tem sido apresentado como uma estrutura estratégica para operações comerciais. O primeiro voo do SEBIT integra a fase de desenvolvimento do veículo, com o objetivo de coletar dados durante o voo e testar o funcionamento dos equipamentos e das operações.

Já o HANBIT-Nano deverá colocar em órbita o satélite de testes InnoSat-0, desenvolvido pela própria InnoSpace. A missão vai avaliar o sistema de lançamento após as melhorias feitas com base nos resultados do voo realizado em 2025. A empresa informou que os preparativos são realizados em conjunto com os órgãos e instituições envolvidos na campanha. Os componentes do foguete e os equipamentos usados em solo já foram enviados ao Brasil, e as atividades de preparação em Alcântara estão em andamento.

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A data exata do lançamento do HANBIT-Nano ainda depende da conclusão das etapas técnicas, operacionais e regulatórias, além das condições meteorológicas e dos requisitos de segurança do voo. De acordo com a InnoSpace, as datas poderão ser alteradas conforme o andamento dos preparativos e as condições para a realização dos lançamentos.

Parceria com a estatal brasileira ALADA

Segundo a InnoSpace, o voo de teste do SEBIT será realizado em parceria com a Empresa de Projetos Aeroespaciais do Brasil S.A. (ALADA), estatal brasileira. O contrato para a execução do projeto foi anunciado em 6 de julho. As missões também contam com o apoio da Força Aérea Brasileira (FAB), da Agência Espacial Brasileira (AEB) e de outras autoridades competentes.

A ALADA é uma empresa pública federal, subsidiária da NAV Brasil, estatal vinculada ao Ministério da Defesa. Sua criação foi autorizada pela Lei nº 15.083, de 2025, e formalizada em julho do mesmo ano para atuar em projetos aeroespaciais, explorar economicamente a infraestrutura e a navegação aeroespaciais do país, desenvolver e comercializar tecnologias do setor e apoiar a cooperação entre o governo brasileiro, empresas nacionais e companhias estrangeiras.

Se realizado como previsto, o lançamento fará do SEBIT o segundo foguete comercial lançado no Brasil. O primeiro foi o Hanbit-Nano, também da InnoSpace, que decolou de Alcântara em 23 de dezembro de 2025, mas sofreu uma falha durante o voo e foi destruído. O acidente não deixou feridos.

Características do foguete SEBIT

O SEBIT é um foguete suborbital multi-propósito, desenvolvido para realizar testes de carga útil, verificação de tecnologias e missões de pesquisa. Seu voo acontece próximo ao limite do espaço, sem entrar na órbita terrestre. A companhia também pretende usar os dados obtidos no voo para aperfeiçoar o desenvolvimento técnico do veículo, ampliar a confiabilidade dos lançamentos e, no futuro, oferecer serviços de teste e verificação suborbital a instituições de pesquisa e empresas nacionais e internacionais.

Segundo a empresa, o foguete foi desenvolvido para missões de teste, verificação e pesquisa de cargas úteis de clientes. Ele poderá ser usado, por exemplo, em simulações de microgravidade, pesquisas científicas, verificação funcional de componentes espaciais e demonstrações tecnológicas em ambientes de alta velocidade e altitude. O modelo tem um motor híbrido com 3 toneladas de empuxo e sistema integrado de telemetria, tecnologia usada para transmitir e analisar em tempo real informações como a posição do foguete e o status da carga útil durante o voo.

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Kim Su-jong, CEO da InnoSpace, afirmou que o SEBIT foi desenvolvido para atender à crescente demanda por pesquisas científicas e demonstrações de tecnologias espaciais em diferentes setores, como biotecnologia, medicina, novos materiais e sistemas de orientação, navegação e controle. Segundo ele, o contrato para uso da área de lançamento representa um marco importante na preparação da empresa para a oferta de serviços comerciais em larga escala. O CEO acrescentou que, a partir desse voo de teste, a InnoSpace pretende aprimorar seus padrões de serviço como plataforma de testes e validação suborbital, oferecendo lançamentos personalizados para clientes dos setores espacial, de defesa, pesquisa e desenvolvimento e de alta tecnologia.

Segundo a companhia, o nome SEBIT faz referência à ideia de ‘luz precisa e delicada’.

Investigação do acidente anterior

Em junho deste ano, o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) divulgou o relatório final da investigação sobre a falha do HANBIT-Nano em 2025. Segundo o órgão, o foguete apresentou comportamento normal nos instantes iniciais do voo, mas sofreu uma falha cerca de 33 segundos após a decolagem. De acordo com o relatório, houve vazamento de gases de combustão na parte frontal da câmara de combustão do motor do primeiro estágio, provocando a ruptura da estrutura e a perda do veículo lançador.

A investigação concluiu que a falha foi causada por problemas de vedação identificados após a remontagem de componentes durante os preparativos para o lançamento. Segundo os investigadores, a compressão insuficiente e a deformação de elementos de vedação, depois da substituição de um plugue da câmara de combustão, permitiram o escape de gases quentes, levando à falha catastrófica do foguete. O acidente destruiu o veículo, mas não deixou feridos, e os danos materiais ficaram restritos à área de segurança prevista para a operação. A divulgação do relatório também marcou a conclusão da primeira investigação de uma ocorrência espacial conduzida pelo Cenipa desde que o órgão passou a atuar como responsável pelo Sistema de Investigação e Prevenção de Acidentes em Atividades Espaciais (Sipae).