Os rebeldes houthis do Iêmen, apoiados pelo Irã, anunciaram nesta segunda-feira (20) um bloqueio aos navios de petróleo da Arábia Saudita no Estreito de Bab-el-Mandeb, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo. A medida abre uma nova frente no conflito que já dura quase cinco meses no Oriente Médio e elevou o preço do barril de petróleo tipo Brent para perto de US$ 90, o maior valor em um mês.
Impacto imediato nos preços do petróleo e nos EUA
O anúncio dos houthis fez o preço do petróleo Brent disparar, aproximando-se dos US$ 90 o barril. Nos Estados Unidos, o reflexo foi instantâneo: o preço médio nacional do galão da gasolina voltou a atingir US$ 4, algo que não ocorria desde meados de junho. Os preços haviam caído nas últimas semanas, mas a escalada de tensões entre Estados Unidos e Irã no Estreito de Ormuz e agora o bloqueio no Bab-el-Mandeb reverteram a tendência. Em 2026, o valor do petróleo já acumula alta de cerca de 45%.
Importância estratégica do Estreito de Bab-el-Mandeb
O Estreito de Bab-el-Mandeb, localizado entre o Iêmen e o Djibouti, separa a Ásia da África e conecta o Mar Vermelho ao Oceano Índico. Por essa via, transitam cerca de 9% do petróleo mundial. Se o estreito for fechado, os navios que partem do Golfo Pérsico precisarão contornar todo o continente africano, acrescentando de 10 a 15 dias à viagem e elevando significativamente os custos de frete. Antes do início da guerra, o Estreito de Ormuz, entre Irã e Omã, era responsável por 20% do tráfego global de petróleo.
Escalada militar e mortes de americanos
No fim de semana, mísseis foram interceptados no céu da Jordânia, mas uma grande explosão atingiu uma base aérea no país, matando três militares americanos. O Comando Central dos EUA identificou duas das vítimas: o primeiro-tenente Tyler James Feehan, de 25 anos, e a soldada Isabella Gonzales, de 19 anos. Um terceiro corpo ainda não foi identificado. Bombardeios iranianos também atingiram o Bahrein e o Kuwait, aliados dos Estados Unidos. O presidente Donald Trump prometeu retaliação, afirmando: “Nos sentimos muito mal, mas vocês sabem que aquelas pessoas extraordinárias, aqueles grandes patriotas, estavam lá lutando para impedir que o Irã tivesse uma arma nuclear.” Desde o início da guerra, 17 militares americanos morreram.
Divisão no Irã e possibilidade de negociação
No domingo (19), o secretário de Estado dos EUA declarou que o governo americano continua aberto a negociações, mas apontou divisões entre os iranianos: “Eles continuam enviando sinais de que querem conversar, e negociar. Mas o comportamento deles consiste em lançar mísseis e drones contra navios.”



