Zadie Smith, aclamada escritora britânica e estrela da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) de 2026, subirá ao palco do Auditório da Matriz no sábado, 25, às 19h, para discutir seu mais recente romance, 'A Fraude' (Companhia das Letras). A autora desembarca em Paraty acompanhada do marido e dos dois filhos, de 16 e 13 anos. 'Não viajei muito. Vai ser interessante', disse à Coluna.
Por que deixou Nova York e voltou a Londres?
Em entrevista, Zadie Smith explicou sua decisão de trocar Nova York por Londres após anos morando na cidade americana. 'Adoro as duas cidades, mas elas despertam coisas completamente diferentes em mim. Nova York é minha casa espiritual – saí por todas as razões comuns: a covid, os filhos, Trump. É um playground para adultos, mas é difícil crescer em Manhattan. Em Londres sou muito mais calma, e tenho certeza de que aqui é melhor para os filhos', afirmou.
'A Fraude' e a escravidão na Jamaica
O romance 'A Fraude' aborda a escravidão nas plantações da Jamaica. Sobre o tema, Smith refletiu: 'Hoje você encontra na internet o nome de cada pessoa que esteve em cada plantação jamaicana – eu não poderia ter escrito sem isso. Quase não existem relatos em primeira pessoa sobre a escravidão caribenha, e o que choca neles é o quanto as pessoas estavam habituadas àquilo. Quando você está no inferno, é difícil manter um sentimento constante de surpresa. Bogle não é um herói, mas quantos são heróis nesse contexto? Você faz o que precisa para sobreviver, e não temos o direito de julgar isso.'
Personagens femininas imperfeitas
Questionada sobre por que suas personagens femininas nunca são perfeitas, Smith respondeu: 'Quando dizem isso, sempre tento imaginar que livros essas pessoas estão lendo. Madame Bovary? Anna Kariênina? Nunca me ocorreu que a ficção sirva para escrever sobre pessoas que você gostaria de ser. Eu não sou uma mulher assim – não saberia nem começar a escrever uma personagem ideal.'
Chegada aos 50 anos
Sobre completar 50 anos, a escritora revelou: 'Se você me perguntasse no ano passado, eu estaria bem depressiva. Mas sinto agora uma estranha leveza e, de vez em quando, me sinto muito grata por isso, porque é uma realidade. É uma lembrança de onde estou na vida. E se não tivesse acontecido, como eu saberia? Como os homens sabem o tempo? Eles não sabem.'
Redes sociais e otimismo
Smith, que criticou cedo as redes sociais, comentou: 'Eu estava vendo futebol – sou grande fã da Inglaterra (a entrevista ocorreu durante a Copa do Mundo), tinha feito daqueles homens heróis. Orgulho e amor pela nação não são sensações ridículas; a questão é como elas são manipuladas. As plataformas se aproveitam disso: são sistemas de modificação de comportamento. Quando eu falava disso, em 2008, escreviam que eu era louca por não ter celular. Hoje essa conversa existe. Eu me sentia sozinha e não me sinto mais. Estou otimista.'



